Instagram Recomenda Majoritariamente Bets Ilegais no Brasil

Brasil.- 16 de Setembro de 2026 | www.zonadeazar.com Uma pesquisa sobre o ecossistema de apostas nas redes sociais revelou que 84% das operadoras de apostas mais recomendadas pelo Instagram não possuem autorização para atuar legalmente no Brasil.

O levantamento do projeto Rede em Jogo, desenvolvido pelo CondadoLab da PUC-Rio, analisou mais de 55 mil contas e cruzou os resultados com a lista oficial de empresas autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas, SPA.

Os dados colocam em evidência o papel dos sistemas automatizados de recomendação na exposição de usuários brasileiros a plataformas que operam fora do mercado regulamentado.

Uma Única Conta Pode Iniciar a Cadeia

A pesquisa identificou que o processo pode começar depois que o usuário segue apenas um perfil relacionado a apostas.

A partir dessa interação, o Instagram passa a sugerir outras contas do mesmo universo.

Entre elas aparecem:

  • Operadoras.
  • Casinos online.
  • Influenciadores.
  • Tipsters.
  • Criadores de conteúdo.
  • Páginas especializadas.

O usuário pode, assim, entrar em um ecossistema onde empresas não autorizadas possuem presença significativa.

84% das Operadoras Recomendadas São Ilegais

O principal resultado do estudo é a proporção de plataformas irregulares.

Entre as operadoras mais recomendadas pelo sistema, 84% não possuem autorização da SPA para funcionar no Brasil.

Algumas podem ter licença ou registro em outros países, mas isso não permite captar apostadores brasileiros.

Para operar legalmente no mercado federal, a empresa precisa estar autorizada pelo Ministério da Fazenda.

Mais de 6 Milhões de Seguidores

O alcance desse ecossistema é expressivo.

Somente os 100 perfis mais recomendados acumulam:

  • Mais de 6 milhões de seguidores.
  • Cerca de 114 mil publicações.

A exposição ao mercado ilegal, portanto, não acontece apenas por meio de pequenas contas.

Três Tipos Principais de Perfil

A pesquisa identificou três grupos predominantes.

O primeiro reúne as próprias operadoras.

O segundo inclui influenciadores, apostadores profissionais, tipsters e criadores de conteúdo.

O terceiro é formado por páginas e veículos especializados no universo de apostas.

Essas categorias acabam conectadas pelo sistema de recomendação.

Apostas Apresentadas Como Renda

Outro ponto destacado é a associação de gambling com ganhos financeiros recorrentes.

Foram identificados conteúdos que apresentam apostas como:

  • Investimento.
  • Profissão.
  • Trabalho.
  • Independência financeira.
  • Fonte de renda.
  • Alternativa ao emprego convencional.

Esse discurso entra em conflito com a política regulatória brasileira, que determina que aposta não é investimento.

Grupos Premium e Palpites

Alguns criadores usam o Instagram para direcionar seguidores a grupos privados.

Telegram aparece entre os canais utilizados.

Neles são comercializados produtos como:

  • Palpites.
  • Sinais.
  • Grupos VIP.
  • Odds supostamente melhores.
  • Estratégias de casino.
  • Métodos que prometem indicar horários de maior ganho.

A rede social funciona, assim, como porta de entrada para outros produtos comerciais.

Conteúdo Sobre o “Tigrinho”

Jogos de casino online também aparecem com frequência.

Algumas publicações afirmam ensinar supostos padrões que permitiriam prever momentos de maior pagamento.

Animações, elementos gráficos e sequências de acontecimentos são apresentados como sinais.

Esse tipo de conteúdo pode transmitir a ideia equivocada de que jogos de azar podem ser previstos através de técnicas específicas.

Bets Ilegais Utilizam Redes Para Aquisição

Plataformas não autorizadas podem utilizar redes sociais como canal direto de aquisição.

Os conteúdos combinam:

  • Humor.
  • Vídeos.
  • Promoções.
  • Odds.
  • IA.
  • Imagens de prêmios.
  • Jogos de casino.

Dessa forma, marcas ilegais conseguem construir reconhecimento mesmo sem licença brasileira.

Problema Para a Canalização

A presença dessas empresas dificulta o objetivo de direcionar consumidores para o mercado regulamentado.

O Brasil busca concentrar a atividade em plataformas sujeitas às regras nacionais.

Mesmo assim, estudos divulgados em 2026 estimaram que operadores ilegais ainda representavam entre 38% e 44% das apostas online no primeiro semestre.

SPA Intensifica Combate ao Mercado Ilegal

A Secretaria de Prêmios e Apostas vem ampliando ações contra plataformas clandestinas.

O trabalho envolve cooperação com:

  • Polícia Federal.
  • Empresas de pagamento.
  • Plataformas digitais.
  • Fornecedores tecnológicos.
  • Poder Judiciário.

A estratégia busca atingir não apenas os sites, mas também sua capacidade de receber pagamentos e conquistar clientes.

Influenciadores Entram no Radar

A promoção realizada por influenciadores já se tornou alvo direto das autoridades.

Em julho, uma operação da Polícia Federal com apoio técnico da SPA investigou um grupo suspeito de usar influenciadores para divulgar plataformas ilegais.

A Justiça determinou bloqueios de bens e valores que poderiam alcançar R$ 951,1 milhões e proibiu investigados de continuar promovendo determinadas bets irregulares.

O episódio mostra que a responsabilidade pode se estender à cadeia de divulgação.

Desafio Para o Instagram

O estudo acrescenta uma nova dimensão à discussão.

O problema não é apenas a existência de contas ilegais dentro da plataforma.

A questão passa a ser o que ocorre quando o próprio algoritmo recomenda essas contas para novos usuários.

A amplificação automática pode aumentar significativamente o alcance comercial de plataformas sem autorização.

Verificação de Licença

Para o consumidor, popularidade em redes sociais não significa legalidade.

Ter muitos seguidores, aparecer em recomendações ou ser promovida por um influencer não comprova que uma bet está autorizada.

A referência deve ser a relação oficial da SPA e os domínios autorizados para operação no Brasil.

Contexto do Setor

O mercado brasileiro entrou em uma nova etapa de consolidação regulatória.

Depois da criação de regras para licenças, impostos, publicidade e jogo responsável, reduzir a presença de operadores clandestinos tornou-se uma das principais prioridades.

As redes sociais ocupam papel estratégico nesse processo.

Se algoritmos direcionam usuários interessados em apostas para empresas ilegais, o efeito das medidas de bloqueio e fiscalização pode ser reduzido.

O debate passa, portanto, pela interseção entre gambling, plataformas digitais, algoritmos, influencers e proteção do consumidor.

Próximos Passos ou Impacto

Os resultados tendem a ampliar a pressão por maior cooperação entre a SPA e as grandes plataformas tecnológicas.

O desafio não será apenas bloquear anúncios pagos de operadoras ilegais, mas também reduzir sua recomendação orgânica.

Para Instagram e outras redes, isso pode exigir sistemas mais eficientes de verificação de licença e identificação de contas comerciais ligadas a gambling.

Para as bets regulamentadas, o tema também envolve concorrência: empresas legais pagam impostos e cumprem obrigações de KYC, jogo responsável e publicidade, enquanto concorrentes clandestinos podem utilizar os mesmos canais digitais sem custos regulatórios equivalentes.

Com 84% das operadoras mais recomendadas pelo Instagram identificadas como ilegais no Brasil, o combate ao mercado clandestino passa agora também pela discussão sobre a responsabilidade dos algoritmos na amplificação desse conteúdo.

Editó: @fonta

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