Underdog Processa Connecticut por Contratos de Prediction Markets
Estados Unidos.- 22 de Setembro de 2026 | www.zonadeazar.com A Underdog entrou com uma ação federal contra autoridades de Connecticut para impedir que o estado trate seus contratos relacionados a eventos esportivos em prediction markets como jogo ilegal.
O caso amplia o conflito jurídico entre a regulamentação federal de derivativos e as leis estaduais de apostas esportivas.
Pedido de Proteção Judicial
A Underdog solicita uma decisão declaratória e uma medida cautelar que permita continuar oferecendo seus produtos em Connecticut.
A empresa contesta a atuação do Connecticut Department of Consumer Protection, DCP.
Argumento de Jurisdição Federal
O principal argumento da Underdog é que suas operações estão inseridas em um Designated Contract Market, DCM, regulamentado em âmbito federal.
A companhia sustenta que a Commodity Futures Trading Commission, CFTC, possui jurisdição exclusiva sobre as negociações realizadas nesses mercados.
Commodity Exchange Act
A empresa também argumenta que a ação de Connecticut é preemptada pelo marco federal estabelecido pela Commodity Exchange Act.
Segundo essa tese, a legislação estadual de gambling não poderia ser aplicada a contratos já sujeitos à regulamentação federal de commodities.
Posição de Connecticut
As autoridades estaduais apresentam interpretação diferente.
Connecticut considera que contratos baseados em resultados esportivos funcionam como apostas e, portanto, só podem ser oferecidos por sportsbooks licenciados dentro do estado.
Ordens de Cessação
A ação foi apresentada depois que o DCP enviou ordens de cessação e desistência para nove plataformas de prediction markets.
Entre elas:
- Underdog.
- Polymarket.
- Coinbase.
- Crypto.com.
- Robinhood.
- ProphetX.
- Novig.
- Webull.
- Gemini.
Exigências do Estado
Connecticut determinou que essas empresas deixassem de:
- Anunciar contratos esportivos.
- Promovê-los.
- Oferecê-los a residentes do estado.
Também exigiu que os clientes mantivessem acesso aos seus recursos para realizar retiradas.
Bryan Cafferelli Defende o Marco Estadual
O comissário do DCP, Bryan Cafferelli, defende que as leis de Connecticut permitem apostas esportivas apenas por meio de sportsbooks legais e licenciados que cumpram os padrões regulatórios e técnicos estaduais.
A posição do órgão é que os prediction markets esportivos não ficam fora dessas regras apenas por utilizarem estrutura contratual diferente.
Proteção ao Consumidor
Connecticut também apresentou preocupações relacionadas à proteção dos jogadores.
Entre os pontos citados estão:
- Limites de idade.
- Participação de pessoas autoexcluídas.
- Contratos relacionados a esportes universitários.
- Controles regulatórios.
- Padrões técnicos.
Investigação Mais Ampla
O estado já emitiu quase 30 intimações dentro da investigação.
Os pedidos alcançam processadores de pagamentos, fornecedores tecnológicos, empresas de mídia e outros atores relacionados ao ecossistema dos prediction markets.
Ned Lamont e a Proteção dos Jogadores
O governador Ned Lamont também afirmou que os prediction markets estariam operando fora do sistema de proteção ao consumidor estabelecido pelo estado para apostas esportivas.
Essa posição institucional é contestada pelas plataformas envolvidas.
Classificação dos Contratos
O ponto jurídico central é definir como esses produtos devem ser classificados.
Os tribunais precisam analisar se um contrato vinculado ao resultado de um evento esportivo deve ser tratado principalmente como:
- Produto financeiro regulado em âmbito federal.
- Ou aposta esportiva submetida às leis estaduais.
Judicialização Crescente
O processo de Connecticut integra uma disputa nacional cada vez maior.
Em setembro, a Underdog também ajuizou ações contra:
- Ohio.
- Massachusetts.
- Wisconsin.
- New Mexico.
- Washington.
Esses casos contestam iniciativas estaduais semelhantes contra contratos esportivos.
Connecticut Também Processa a Kalshi
O estado iniciou ainda uma ação separada contra a Kalshi para tentar impedir a oferta de contratos esportivos a residentes de Connecticut.
A disputa regulatória, portanto, não está limitada à Underdog.
Federalismo Regulatório
O debate envolve uma questão mais ampla sobre a divisão de competências nos Estados Unidos.
As plataformas sustentam que a fiscalização federal sobre DCMs prevalece sobre a legislação estadual.
Os estados argumentam que normas de gambling e proteção ao consumidor continuam válidas quando um contrato reproduz economicamente uma aposta esportiva.
Sem Solução Nacional Uniforme
Até o momento, não existe uma resposta judicial única para todo o país.
Processos semelhantes continuam em andamento em várias jurisdições, com decisões que variam conforme o tribunal e a fase processual.
Expansão Comercial da Underdog
A disputa acontece durante um período importante para a empresa.
A IG Group anunciou em julho que pretende adquirir a Underdog por até USD 1,3 bilhão.
A companhia havia captado anteriormente USD 70 milhões em uma rodada Série C realizada em março de 2025, com avaliação de aproximadamente USD 1,23 bilhão.
Contexto do Setor
Os prediction markets esportivos se tornaram um dos principais temas regulatórios do gaming nos Estados Unidos.
A expansão desses produtos está criando uma fronteira cada vez mais disputada entre mercados financeiros, event contracts e apostas esportivas tradicionais.
Próximos Passos ou Impacto
O tribunal federal deverá avaliar se Connecticut pode aplicar suas leis de apostas esportivas aos contratos da Underdog ou se essas operações estão exclusivamente sob jurisdição federal.
O processo integra uma série crescente de disputas que poderá definir o futuro regulatório dos prediction markets esportivos nos Estados Unidos.
O resultado terá impacto não apenas sobre a Underdog, mas também sobre outras plataformas, reguladores, estados e sportsbooks licenciados que atuam em um ambiente jurídico ainda em desenvolvimento.
Editó: @fonta


