Sindicato de Loterias Rejeita Flexibilização da Publicidade de Apostas na Libertadores
Uruguai.- 25 de Setembro de 2026 | www.zonadeazar.com A Associação de Funcionários da Direção Nacional de Loterias e Quinielas, AFAL, manifestou sua oposição a qualquer flexibilização excepcional das restrições uruguaias sobre publicidade e patrocínio de casas de apostas esportivas durante a final da Copa Libertadores.
A posição do sindicato surge após a Confederação Sul-Americana de Futebol, Conmebol, e a Associação Uruguaia de Futebol, AUF, levantarem dificuldades relacionadas à aplicação das normas locais durante a decisão do principal torneio continental.
A final está prevista para 28 de novembro de 2026 no Estádio Centenário, em Montevidéu.
Rejeição da AFAL
A AFAL considera que as normas vigentes não deveriam ser modificadas ou flexibilizadas por causa da importância comercial e esportiva de um único evento.
O sindicato entende que as restrições publicitárias fazem parte de uma política pública mais ampla destinada a proteger consumidores e manter o controle sobre o mercado legal de jogos de azar.
Para a organização, a discussão vai muito além da própria partida.
Pedido da Conmebol e da AUF
A controvérsia começou após a AUF levar ao Governo a situação gerada pelos contratos comerciais da Conmebol com empresas de apostas que não possuem autorização para operar no Uruguai.
A preocupação envolve principalmente a possível presença de marcas de apostas por meio de:
- Publicidade dentro do estádio.
- Placas de campo.
- Patrocínios.
- Uniformes esportivos.
- Sinalização comercial.
- Transmissões audiovisuais.
A legislação uruguaia estabelece restrições à promoção de serviços de jogo sem autorização local.
Final no Estádio Centenário
A final da Copa Libertadores 2026 será disputada no Estádio Centenário.
A realização do evento em Montevidéu coloca a organização do torneio sob as condições regulatórias vigentes no Uruguai.
Isso gera uma situação particular porque diversas competições e entidades internacionais mantêm contratos comerciais com casas de apostas.
Publicidade de Operadores Não Autorizados
A AFAL ressaltou que o marco regulatório uruguaio busca impedir que operadores não autorizados promovam seus serviços dentro do território nacional.
A restrição não se limita necessariamente à oferta direta de apostas.
Também alcança diferentes formas de publicidade e patrocínio relacionadas a plataformas sem autorização da Direção Nacional de Loterias e Quinielas, DNLQ.
Sistema Regulatório Uruguaio
O Uruguai mantém uma estrutura restritiva para o jogo online privado.
A DNLQ possui competências relacionadas à autorização, controle e fiscalização de determinadas modalidades de jogo.
A legislação também prevê medidas contra a promoção de plataformas que atuem sem autorização local.
Publicidade Como Parte do Controle
Para a AFAL, limitar a publicidade não constitui uma questão secundária.
O sindicato entende que a promoção comercial é uma das principais ferramentas utilizadas pelos operadores para captar consumidores.
Por esse motivo, as restrições publicitárias fazem parte da estratégia uruguaia para limitar o acesso a serviços de jogo não autorizados.
Proteção do Mercado Legal
A organização considera que eventuais exceções podem prejudicar o sistema formal.
Operadores e produtos autorizados estão submetidos a determinadas regras e controles dentro do país.
A AFAL argumenta que permitir exposição publicitária a empresas que não cumprem essas mesmas condições criaria uma assimetria em relação ao mercado regulado.
Proteção Social e Sanitária
O sindicato também relacionou a discussão a aspectos sociais e de saúde pública.
Para a AFAL, as restrições ao jogo não autorizado fazem parte de políticas destinadas a reduzir riscos associados ao consumo problemático.
A organização entende que a publicidade deve ser analisada a partir dessa perspectiva e não apenas como uma questão comercial ou esportiva.
Posição Sobre o Jogo Não Regulamentado
A AFAL alertou que a publicidade pode permitir que plataformas fora da supervisão uruguaia captem consumidores locais.
A entidade considera que isso pode reduzir a capacidade do Estado de fiscalizar a atividade.
Também surgem questionamentos sobre proteção ao consumidor, responsabilidade dos operadores e destino dos recursos movimentados pelas apostas.
Contradição Apontada pelo Sindicato
A AFAL também questionou a posição da Associação Uruguaia de Futebol.
Segundo o sindicato, a AUF recebe recursos provenientes do sistema formal e de tributos vinculados ao jogo legal.
Por isso, considera contraditório que a mesma instituição busque uma exceção capaz de beneficiar operadores sem autorização local.
Financiamento do Futebol
A relação entre jogo regulamentado e esporte também faz parte dos argumentos da entidade.
Diferentes mecanismos associados ao sistema legal de jogos contribuem direta ou indiretamente para atividades esportivas.
A AFAL considera que esse vínculo deve ser levado em conta ao avaliar possíveis exceções para empresas externas ao esquema autorizado.
Segurança Jurídica
Outro argumento central é a segurança jurídica.
O sindicato considera que as normas devem ser aplicadas uniformemente, independentemente da relevância econômica de determinado evento.
Nessa perspectiva, criar uma exceção exclusivamente para a Copa Libertadores poderia gerar diferenças na aplicação de regras que continuam válidas para outros atores.
Igualdade Perante a Lei
A AFAL também invocou o princípio da igualdade perante a lei.
A organização sustenta que contratos comerciais privados não deveriam alterar obrigações estabelecidas pela legislação nacional.
Assim, a dimensão da final não deveria ser fundamento suficiente para suspender controles existentes.
Contratos Comerciais da Conmebol
A Copa Libertadores constitui um dos principais ativos comerciais da Conmebol.
O torneio mantém acordos internacionais com patrocinadores e parceiros que podem atuar sob condições diferentes em cada país.
Quando uma competição internacional ocorre em uma jurisdição com restrições específicas, podem surgir conflitos entre esses contratos e a legislação local.
Adaptação à Legislação Local
A AFAL sustenta que, diante de incompatibilidades, os contratos e a organização comercial do evento devem se adaptar às normas uruguaias.
A entidade rejeita a ideia de modificar regras nacionais para acomodar compromissos comerciais privados.
Para o sindicato, esse princípio é necessário para preservar a coerência regulatória.
Possibilidade de Outra Sede
A organização adotou uma posição particularmente firme em relação à sede da partida.
A AFAL afirmou que, caso os compromissos comerciais da Conmebol sejam incompatíveis com a legislação uruguaia, as alternativas deveriam ser adaptar os contratos ou escolher outro local.
Na visão do sindicato, o Uruguai não deveria alterar seu marco regulatório apenas para permitir o cumprimento de contratos externos.
Posição da AUF
A Associação Uruguaia de Futebol havia solicitado anteriormente que o Governo encontrasse uma solução para o tema.
O presidente da AUF, Ignacio Alonso, participou de conversas com autoridades nacionais e representantes da Conmebol.
O objetivo era evitar que a aplicação estrita das restrições gerasse sanções relacionadas a elementos publicitários presentes durante a final.
Dificuldades Para os Clubes Uruguaios
A controvérsia não se limita à decisão da Libertadores.
Clubes uruguaios já enfrentaram situações semelhantes ao receber equipes estrangeiras cujas camisas exibem marcas de casas de apostas.
O problema ocorre porque determinado patrocinador pode atuar legalmente no país de origem da equipe visitante e, ao mesmo tempo, não possuir autorização no Uruguai.
Publicidade nos Uniformes
Os uniformes representam um dos elementos mais difíceis de administrar.
Enquanto determinados formatos publicitários podem ser removidos ou substituídos tecnicamente, uma camisa oficial pode fazer parte de contratos de patrocínio de longo prazo.
Essas situações aumentaram a pressão pela definição de critérios para competições internacionais.
Publicidade Estática e Televisiva
A tecnologia permite adaptar certos anúncios de acordo com o país que recebe uma transmissão.
Competições internacionais já utilizam sinais comerciais diferenciados para diferentes mercados.
No entanto, elementos físicos presentes dentro do estádio podem ser substancialmente mais difíceis de modificar.
Posição do Governo
O presidente Yamandú Orsi reconheceu publicamente que existem dificuldades práticas na aplicação das restrições durante partidas internacionais.
Ele mencionou especialmente os problemas gerados quando clubes estrangeiros chegam ao Uruguai com patrocinadores ligados às apostas.
Ao mesmo tempo, afirmou que a discussão não representava uma mudança geral na situação legal do jogo online.
Sem Mudança Legal Geral
O debate imediato está relacionado principalmente à aplicação das normas existentes em partidas internacionais.
Isso é diferente de uma reforma geral do sistema uruguaio de apostas.
A realização da final da Copa Libertadores não implica, por si só, uma abertura do mercado doméstico para novos operadores.
Declarações
A AFAL afirmou que a discussão sobre as restrições publicitárias vai muito além de uma partida de futebol.
Segundo o sindicato, essas limitações fazem parte de um sistema criado para impedir que operadores não autorizados captem consumidores uruguaios e retirem recursos do país.
A organização também declarou que a segurança jurídica e a igualdade perante a lei não deveriam ser relativizadas em função da importância econômica ou esportiva de um evento.
A AFAL afirmou ainda que, se os contratos da Conmebol forem incompatíveis com a legislação uruguaia, os acordos devem ser adaptados ou outra sede deve ser escolhida, em vez de exigir uma flexibilização excepcional das regras nacionais.
Reforma de 2017
O sindicato lembrou que o atual marco regulatório resulta de decisões consolidadas ao longo dos últimos anos.
A reforma ratificada em 2017 fortaleceu as restrições relacionadas à exploração e promoção de jogos online não autorizados.
A AFAL considera essas medidas parte de uma política de Estado e não regras que devam ser alteradas pontualmente.
Competências da DNLQ
A Direção Nacional de Loterias e Quinielas pode atuar diante de publicidade relacionada a atividades de jogo não autorizadas.
O sistema permite exigir a interrupção de determinadas comunicações comerciais e prevê sanções em casos de descumprimento.
Essas competências podem alcançar diferentes atores envolvidos na divulgação da publicidade.
Alcance das Restrições
As normas uruguaias abrangem diferentes meios e formatos promocionais.
Entre eles podem estar:
- Meios audiovisuais.
- Plataformas digitais.
- Publicidade em eventos.
- Patrocínios esportivos.
- Comunicações eletrônicas.
- Cartazes.
- Outros suportes promocionais.
O objetivo é limitar a promoção de atividades de jogo sem autorização local.
Patrocínio Esportivo
O patrocínio representa um dos principais pontos de tensão entre o marco uruguaio e o futebol internacional.
Casas de apostas mantêm presença comercial significativa em diversas ligas e clubes da América do Sul.
Com isso, equipes estrangeiras podem entrar no país com acordos que não necessariamente estão alinhados às normas locais.
Relevância Regional das Casas de Apostas
A expansão das apostas esportivas transformou o patrocínio do futebol latino-americano.
Numerosos clubes e competições mantêm contratos com operadores do setor.
Essa realidade cria desafios crescentes para jurisdições que aplicam restrições mais severas à publicidade de apostas.
Evento de Grande Exposição
A final da Copa Libertadores possui audiência internacional significativa.
A presença de marcas durante a partida pode gerar uma exposição muito superior à de uma competição doméstica.
Por esse motivo, qualquer exceção publicitária teria efeitos que ultrapassariam o ambiente físico do estádio.
Risco de Precedente
Uma das principais questões é se uma flexibilização excepcional poderia ser utilizada posteriormente como precedente em outros eventos.
A AFAL considera que suspender temporariamente a aplicação das normas poderia enfraquecer a consistência do sistema.
A organização procura evitar que a importância econômica de um evento se transforme em critério para criar exceções.
Defesa do Modelo Atual
O sindicato convocou autoridades públicas, atores políticos e sociedade civil a defender o sistema regulatório vigente.
A AFAL entende que o modelo atual foi construído a partir de decisões mantidas ao longo do tempo e atende objetivos que vão além da arrecadação.
Entre eles estão proteção social, controle institucional e defesa do mercado formal.
Contexto do Setor
A disputa evidencia um desafio crescente para o esporte internacional.
As competições atravessam diferentes jurisdições enquanto seus patrocinadores mantêm contratos regionais ou globais.
Quando o setor patrocinador está submetido a regras diferentes em cada país, surgem conflitos entre direitos comerciais e legislação nacional.
No Uruguai, essa questão ganha particular relevância devido às restrições aplicadas a operadores de apostas online não autorizados.
Próximos Passos ou Impacto
O debate continuará durante a preparação para a final da Copa Libertadores de 28 de novembro em Montevidéu.
As autoridades deverão definir como serão aplicadas as restrições publicitárias no Estádio Centenário e qual tratamento será dado aos patrocinadores ligados às apostas esportivas.
A posição da AFAL aumenta a pressão por uma aplicação estrita da legislação sem exceções especiais.
O caso também pode se tornar uma referência para futuros eventos esportivos internacionais realizados no Uruguai, principalmente quando equipes ou competições mantiverem contratos comerciais com marcas sem autorização local.
Para o sindicato, o ponto central é preservar durante uma noite excepcional o mesmo sistema regulatório mantido durante todo o restante do ano.
Editó: @fonta


