As Realidades por Trás da Expansão dos VLTs

Brasil.- 07 de Março de 2026 www.zonadeazar.com Especialistas debateram o papel do VLT, a omnicanalidade e a regulamentação como política pública

No âmbito do SBC Summit Rio 2026, referências do setor analisaram os desafios e oportunidades da exploração de VLTs, o desenvolvimento do modelo omnicanal e o papel da regulamentação estadual na consolidação do mercado.

O painel contou com a participação de Lucinéia Souza, Diretora Jurídica e de Compliance do Lema Group; Hazenclever Lopes Cançado, presidente da Loterj; Éverton Sales, Diretor de Operações da LOTESE; e foi moderado por Fernanda Meirelles, sócia da área de Mídia e Jogos da FAS Advogados. A participação dos quatro executivos consta da agenda oficial do evento.

Durante a conferência, um dos grandes eixos foi a necessidade de entender que a operação de VLTs (Video Lottery Terminals) não se limita à instalação de terminais, mas exige uma estrutura integral composta por governança, compliance, segurança de pagamentos, fiscalização e infraestrutura tecnológica.

Nesse sentido, Lucinéia Souza destacou que o ambiente físico e o ambiente online não funcionam sob a mesma lógica e explicou que o canal presencial requer controle local, rastreabilidade e uma arquitetura operacional específica para garantir segurança jurídica e confiança social.

A executiva também destacou que, em modelos já implementados, a conexão entre terminais físicos e sistemas centrais permite uma operação audível em tempo real. Segundo ela, esse tipo de integração permite o uso de uma mesma carteira para que o usuário possa iniciar sua experiência em um ponto físico e continuá-la posteriormente de forma digital, consolidando assim uma estratégia de omnicanalidade.

Por sua vez, Hazenclever Lopes Cançado sustentou que o debate sobre VLTs não deve se reduzir a questões técnicas ou de arrecadação. Em sua exposição, ele defendeu a ideia de que o sistema lotérico e o jogo regulamentado devem ser entendidos como uma política pública, com impacto na geração de empregos, turismo, inclusão e financiamento de ações sociais.

Ele também afirmou que o desenvolvimento desse mercado pode ajudar a reter no Brasil parte dos gastos dos jogadores que hoje viajam para outros países para apostar em cassinos e espaços de entretenimento.

Em uma das intervenções mais contundentes do painel, o presidente da Loterj insistiu que a discussão pública sobre o jogo não pode ficar presa ao moralismo, mas sim se concentrar na legalidade, na regulamentação e no impacto econômico e social da atividade.

Por sua vez, Éverton Sales contribuiu com uma visão operacional e explicou que a implementação dos VLTs permitiu identificar um perfil de usuário diferente do canal online. Segundo ele, o público do canal físico tende a ser mais maduro, com hábitos de consumo diferentes e uma relação mais próxima com o ponto de venda.

Para Sales, essa característica torna o VLT uma ferramenta relevante para aproximar novas tecnologias de entretenimento de segmentos da população que hoje não participam ativamente do ecossistema digital, mas que fazem parte da tradição histórica das apostas e loterias no Brasil.

O executivo da LOTESE também destacou que a experiência presencial oferece algo que o online não consegue replicar com a mesma intensidade: o contato direto com o apostador, o que permite medir em tempo real a receptividade do produto, o impacto no comércio e o valor da experiência do usuário.

Outro ponto destacado pelo painel foi o consenso de que a conformidade deve fazer parte do projeto inicial do modelo, e não ser uma correção posterior.

Segundo explicou Lucinéia Souza, uma estrutura mínima de governança e integridade permite reduzir riscos desde o início e oferece aos operadores, reguladores e fornecedores uma base comum para adaptar a operação à medida que ela evolui.

No encerramento, o painel deixou uma conclusão clara: o desenvolvimento do mercado presencial de VLTs no Brasil não deve ser entendido como uma simples expansão dos terminais de jogo, mas como a construção de um modelo híbrido onde confluem tecnologia, regulamentação, experiência do usuário e política pública.

Editou @pererarte   www.zonadeazar.com

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