BiS SiGMA South America: Físico ou Digital, o Setor Debate um Modelo Convergente

Brasil.- 10 de Abril de 2026 www.zonadeazar.com Em um contexto de transformação acelerada, a indústria do jogo enfrenta uma questão fundamental: o futuro será físico ou digital? Essa foi a premissa central da conferência “Físico ou digital? Entre fronteiras e convergências na indústria de cassinos”, um espaço de debate que reuniu referências do setor para analisar tendências, desafios e oportunidades em um mercado cada vez mais híbrido.

O painel foi moderado por Leonardo Benites, que conduziu uma conversa dinâmica ao lado de executivos de destaque da indústria: Bryan Ortiz, diretor da Zitro Digital Brasil; Mario Pequeño, da Amusnet; Fernando Mora, representante da Sportradar; e Jordi Sendra, CEO da Alea. Ao longo do encontro, os participantes concordaram que o futuro do setor não passa pela escolha entre o físico e o digital, mas por encontrar formas eficientes de integração entre ambos os ambientes.

Um dos eixos principais do debate foi o avanço do modelo omnicanal, entendido como a convergência entre a experiência presencial e a digital. Nesse sentido, Bryan Ortiz destacou que o crescimento do jogo online não substitui o físico, mas o complementa. Segundo ele, a tecnologia já permite construir ecossistemas mais conectados, com maior rastreabilidade, melhores processos de verificação e menos margem para fraudes, embora tenha alertado que o grande desafio continua sendo regulatório.

Nessa mesma linha, foi analisado o cenário legislativo brasileiro e o impacto que futuras decisões judiciais e parlamentares poderiam ter sobre o desenvolvimento do jogo presencial no país. Durante a palestra, destacou-se que o Brasil se encontra em uma situação particular, já que avançou primeiro na regulamentação do ambiente digital e só depois começou a debater a viabilidade do segmento land-based. Para os participantes do painel, esse processo apresenta dificuldades, mas também uma oportunidade única para criar um marco mais moderno, transparente e sustentável.

Outro ponto destacado foi o potencial dos sports bars, das salas imersivas e dos espaços físicos voltados para capitalizar a forte cultura esportiva do público brasileiro. Fernando Mora observou que, embora o Brasil não tenha uma tradição tão marcante de sports bars quanto os Estados Unidos, existe um costume muito arraigado de se reunir em bares para assistir a esportes, o que poderia facilitar a adoção de propostas presenciais ligadas às apostas esportivas. Ele também destacou que o universo online já criou comunidades ativas em torno de diferentes esportes, algo que poderia impulsionar a migração para experiências compartilhadas em espaços físicos.

A conversa também se concentrou no uso de dados e estratégias de CRM para conectar os dois mundos. Os palestrantes concordaram que as informações obtidas no ambiente digital podem se tornar uma ferramenta fundamental para atrair usuários ao espaço físico, seja por meio de promoções, benefícios ou parcerias entre operadores online e estabelecimentos presenciais. Nesse ponto, foi ressaltado que o uso inteligente dos dados poderia se tornar um dos grandes diferenciais competitivos do futuro.

Por sua vez, Mario Pequeño colocou o foco na adaptação do conteúdo ao perfil do jogador brasileiro. Ele explicou que, além da estética ou da tematização dos jogos, o que realmente importa será entender que tipo de experiência o usuário local busca.

Em um mercado cada vez mais saturado, ele afirmou que não basta ter um bom produto: será necessário combinar criatividade, posicionamento e estratégias de visibilidade para se destacar em um ecossistema altamente competitivo.

Por fim, Jordi Sendra trouxe uma perspectiva internacional sobre a transição do online para o físico. Segundo ele, ao contrário do caminho tradicional — do cassino físico para o digital —, quando um operador online busca expandir-se para o mundo presencial, ele se depara com uma lógica completamente diferente. Nesse sentido, ele recomendou recorrer a terceiros especializados e, acima de tudo, compreender que a experiência do jogador muda radicalmente em cada ambiente, desde a ambientação até o comportamento do usuário.

A título de conclusão, o painel deixou uma ideia clara: a dicotomia entre físico e digital já não é suficiente para descrever o presente do setor. A indústria do jogo avança em direção a um modelo de convergência, onde a tecnologia, a regulamentação, os dados e a experiência do usuário serão peças-chave para construir o próximo capítulo do mercado.

Editou @pererarte   www.zonadeazar.com

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