Quando Chamar as Apostas de “Jogo” Deixa de ser Inocente
Argentina. – 26 de Fevereiro de 2026 www.zonadeazar.com Todos os anos, no dia 17 de fevereiro, comemora-se o Dia Internacional do Jogo Responsável. Mais do que uma data comemorativa, é uma oportunidade para pararmos e refletirmos sobre uma confusão que se tornou habitual no debate público: chamar de “jogo” o que, na realidade, são apostas.
Pode parecer um detalhe menor, uma discussão semântica. Mas não é. A linguagem não apenas descreve a realidade, ela a molda. E quando se usam as palavras erradas, os riscos se confundem e, às vezes, os problemas são banalizados.
As crianças brincam. E isso é bom. É necessário.
O jogo, em seu sentido mais amplo, faz parte do crescimento. Brincar é aprender, compartilhar, perder e tentar novamente. É uma atividade formativa, social e essencial para o desenvolvimento.
As apostas, por outro lado, são outra coisa. Elas introduzem outra lógica: uma lógica mercantil, com expectativa de ganho, risco de perda e repetição. Especialmente no ambiente digital, onde a disponibilidade permanente e a imediatidade podem potencializar comportamentos compulsivos, essa diferença não é pequena. É estrutural.
No entanto, nos últimos anos, instalou-se uma narrativa que dilui essa fronteira. Anúncios, plataformas e até mesmo discursos cotidianos usam a palavra “jogo” para se referir a apostas. Não se trata de um erro ingênuo. É uma forma de suavizar a mensagem, de normalizar uma prática que, sem regulamentação ou controles, pode causar danos profundos.
Os dados corroboram essa preocupação. O vício em jogos de azar entre crianças e adolescentes deixou de ser um tema marginal para se tornar um problema generalizado. É um vício reconhecido, com consequências reais na saúde mental, no desempenho escolar e na vida familiar das crianças. Nomear isso claramente não estigmatiza: permite abordá-lo.
Sob a firme decisão do chefe do governo, Jorge Macri, essa abordagem é hoje uma realidade na cidade de Buenos Aires. A proteção dos menores contra as apostas tornou-se uma política pública que está na vanguarda do que está sendo feito em nível mundial.
No entanto, falar de jogo responsável também implica dizer algo mais: para os adultos, apostar de forma legal, informada e moderada é fundamental para evitar comportamentos patológicos.
O problema não é apenas quanto se aposta, mas onde, como e em que condições. Quando existem regras claras, controles eficazes e ferramentas de autocuidado — como pausas, autoexclusão e verificação de identidade —, o risco diminui significativamente. Na Loteria da Cidade, estabelecemos normas, controles e limites nos sites legais de apostas para cuidar. Mas isso não é feito sozinhos.
O trabalho é conjunto: com os operadores habilitados, com o setor, com outras áreas do Estado e também com nossos pares das loterias provinciais. Por meio da Associação de Loterias, Quinielas e Cassinos Estaduais da Argentina (ALEA), são coordenadas políticas, padrões e ações comuns.
Combater o jogo ilegal é parte central desse esforço. Onde não há licença, não há controles nem responsabilidade pelos danos. Nos últimos dois anos, avançamos com mais de duas mil bloqueios de sites e perfis em redes sociais, além de workshops e ações de conscientização em escolas, clubes e espaços comunitários, alcançando dezenas de milhares de crianças, adolescentes e famílias. É importante destacar o papel da Promotoria Especializada em Jogos de Azar e Apostas (FEJA), chefiada por Juan Rozas, criada no âmbito do Ministério Público durante esta gestão, que trouxe resultados altamente positivos e, até o momento, únicos na Argentina.
Mas o controle, por si só, não é suficiente. O jogo responsável também se constrói com diálogo. Por isso, promovemos a campanha “Falar é ganhar”. Quando o assunto é discutido em família, na escola, nos clubes, o risco diminui. Quando é colocado em palavras, torna-se visível. Quando é nomeado corretamente, pode ser enfrentado.
Chamar as coisas pelo nome é uma forma de responsabilidade pública.
Jogo é jogo.
Apostas são apostas.
Menores e apostas, nunca.
Fonte: LA NACION Fuente: Jesús Acevedo 
Editou: @MaiaDigital www.zonadeazar.com