IBJR Alerta: Desregulação Impulsionaria Mercado Ilegal

Brasil.– 14 de abril de 2026 – www.zonadeazar.com  O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) alertou que o desmonte do atual marco legal do setor de apostas no Brasil poderia gerar um forte crescimento do mercado ilegal, eliminando as garantias de proteção ao usuário e afetando significativamente a arrecadação fiscal do país.

Visão geral

Em resposta às recentes declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o impacto do setor no bem-estar econômico das famílias brasileiras, o IBJR reafirmou que a regulação é a ferramenta mais eficaz para proteger a sociedade.

A entidade sustenta que a eliminação do mercado legal não reduziria a demanda existente, mas provocaria uma migração direta dos usuários para plataformas clandestinas, onde não existem controles, mecanismos de proteção nem contribuição fiscal.

Esse posicionamento reforça a regulação como um pilar estrutural não apenas para a indústria, mas também para o Estado e a proteção do consumidor.

Detalhes / Contexto

Um dos pontos mais relevantes do estudo apresentado pelo IBJR é a dimensão atual do mercado ilegal. De acordo com uma pesquisa conjunta do Instituto Locomotiva e da LCA Consultoria, 51% do mercado de apostas no Brasil opera fora do sistema regulado.

Esse segmento clandestino movimenta aproximadamente R$ 40 bilhões por ano, gerando um impacto fiscal negativo estimado em R$ 10,8 bilhões anuais.

Diante desse cenário, a entidade enfatiza que o fortalecimento do mercado formal é a única forma eficaz de reduzir a ilegalidade, consolidando um ecossistema com regras claras, supervisão e rastreabilidade.

Subtemas específicos

Regulatório:
O Brasil conta atualmente com um marco regulatório considerado entre os mais modernos do mundo. As plataformas licenciadas operam sob rigorosos requisitos de conformidade, incluindo controles de identidade, monitoramento de atividades e protocolos de integridade.

Consumo:
Em relação ao impacto no consumo das famílias, os dados da LCA Consultoria indicam que os gastos com apostas representam entre 0,2% e 0,5% do consumo total das famílias brasileiras, evidenciando uma incidência limitada no orçamento geral.

Endividamento:
O IBJR destaca que o principal fator de superendividamento no Brasil está relacionado aos cartões de crédito, que representam 80,2% do total, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor.

Medidas de controle:
As plataformas reguladas sob o domínio .bet.br têm estritamente proibido aceitar pagamentos por meio de cartões de crédito ou criptomoedas.

Além disso, implementam ferramentas obrigatórias de proteção, como:

  • Limites de tempo de sessão
  • Restrições de depósito
  • Sistemas de autoexclusão

Também exigem processos rigorosos de identificação e reconhecimento facial durante o cadastro dos usuários.

Impacto econômico:
O setor tem demonstrado ser um motor relevante para a economia brasileira. Somente em 2025, o Governo Federal arrecadou R$ 9,95 bilhões em tributos provenientes das plataformas reguladas.

A esse valor somam-se os aportes provenientes do GGR destinados por lei a áreas estratégicas:

  • Esportes: R$ 1,6 bilhão
  • Turismo: R$ 1,2 bilhão
  • Segurança pública: R$ 590 milhões
  • Educação: R$ 433 milhões

O modelo tributário estabelece que a carga total sobre o GGR alcançará 32,8% em 2026, com projeção de atingir 42% em 2033.

O IBJR alerta que aumentos excessivos de impostos podem gerar efeitos contrários, incentivando a migração de usuários para o mercado ilegal.

Por outro lado, o processo de licenciamento exigiu o pagamento de R$ 30 milhões por operador, com validade de cinco anos, além da obrigatoriedade de constituição de empresas com sede administrativa no Brasil.

Isso resultou em uma arrecadação inicial de aproximadamente R$ 2,5 bilhões.

O setor acumula investimentos de R$ 7,5 bilhões e, segundo a LCA Consultoria, gera um efeito multiplicador capaz de injetar até R$ 28 bilhões adicionais na economia nacional.

Além disso, sustenta cerca de 15.500 empregos diretos e indiretos altamente qualificados.

Perspectiva futura

O IBJR conclui que um retrocesso no processo regulatório significaria eliminar receitas essenciais para o desenvolvimento social e expor a população ao mercado ilegal.

A entidade reforça sua disposição de manter um diálogo técnico e institucional com o Poder Executivo e o Congresso Nacional, com o objetivo de consolidar um modelo sustentável.

O futuro do setor dependerá da capacidade de equilibrar regulação, carga tributária e competitividade, evitando que o crescimento do mercado ilegal comprometa a estabilidade do ecossistema.

🔗 Editou: @_fonta www.zonadeazar.com

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