Brasil Já Bloqueou Mais de 60 Mil Sites de Apostas Ilegais

Brasil.- 14 de Agosto de 2026 | www.zonadeazar.com A Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda informou que já determinou o bloqueio de mais de 60 mil sites de apostas ilegais desde o início do monitoramento formal do mercado clandestino.

O dado foi apresentado por Carlos Renato Resende, subsecretário de Monitoramento e Fiscalização da SPA, durante uma audiência pública na Câmara dos Deputados.

Monitoramento Desde 2025

A SPA começou a monitorar o mercado ilegal de apostas em 1º de janeiro de 2025.

Nos primeiros meses, o trabalho foi realizado manualmente devido à ausência de ferramentas tecnológicas adequadas.

Em outubro de 2025, o órgão passou a utilizar uma tecnologia capaz de automatizar o monitoramento e acelerar significativamente a identificação e o bloqueio de plataformas clandestinas.

Desde então, o volume de sites bloqueados cresceu de forma expressiva e já ultrapassa 60 mil domínios.

Como Identificar Operadoras Legais

As plataformas autorizadas pela SPA em âmbito federal utilizam o domínio “.bet.br”.

O órgão também mantém uma lista oficial de operadoras habilitadas a funcionar legalmente em todo o território nacional.

Existem ainda empresas licenciadas por loterias estaduais em estados como Paraná, Rio de Janeiro e Paraíba.

Nesses casos, as operadoras devem limitar sua atuação ao território onde receberam a licença e não necessariamente utilizam o domínio “.bet.br”.

Declarações

Carlos Renato Resende afirmou que o combate ao mercado ilegal deve ser entendido como uma tarefa permanente.

O subsecretário comparou o processo a “cortar o mato”, destacando que as plataformas clandestinas podem reaparecer mesmo depois de serem bloqueadas.

Resende afirmou ainda que nenhum país conseguiu eliminar completamente o mercado ilegal de apostas e comparou o desafio brasileiro com problemas observados em outros setores afetados pela pirataria.

Cooperação com a Polícia Federal

A SPA também está próxima de firmar um acordo de cooperação com a Polícia Federal para aprimorar o tratamento de denúncias criminais relacionadas ao mercado ilegal.

A Polícia Federal deverá atuar como centro de análise dos casos e posteriormente definir se a investigação cabe às autoridades federais ou estaduais.

A SPA já participou de investigações conjuntas, como a Operação Narco Bet, relacionada a um esquema milionário de lavagem de dinheiro associado a rifas e apostas ilegais.

Queda da Participação do Mercado Ilegal

Durante a mesma audiência, Eric Brasil, diretor da LCA Consultores, apresentou uma pesquisa que estima que as operadoras ilegais representam atualmente entre 38% e 44% do mercado brasileiro de apostas.

O percentual representa uma redução em relação ao primeiro semestre de 2025, quando o mercado ilegal correspondia a uma fatia estimada entre 41% e 55%.

O estudo foi realizado pela LCA Consultores e pelo Instituto Locomotiva a pedido do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR).

Mais Medidas Contra a Ilegalidade

Carlos Lima, presidente do IBJR, destacou que o Governo brasileiro adotou ao longo de 2025 e 2026 diversas medidas para reduzir a atuação clandestina.

Entre elas estão o bloqueio de pagamentos, maior responsabilização de intermediários financeiros e medidas contra plataformas de prediction markets consideradas ilegais dentro do marco regulatório brasileiro.

Em abril, o Conselho Monetário Nacional proibiu mercados de previsão de oferecer contratos sobre eventos esportivos, eleitorais, políticos e outros assuntos sem relação com temas econômico-financeiros.

Posteriormente, o Ministério da Fazenda determinou o bloqueio de plataformas como Polymarket e Kalshi por considerar que determinadas operações constituíam apostas não autorizadas.

Próximos Passos ou Impacto

O Brasil deverá continuar ampliando a coordenação entre órgãos reguladores, instituições financeiras e forças de segurança para reduzir a presença do mercado clandestino.

Embora a SPA reconheça que eliminar completamente a oferta ilegal é uma tarefa difícil, os dados apresentados indicam uma redução de sua participação desde a entrada em vigor da regulamentação.

O monitoramento automatizado, o bloqueio de pagamentos e a cooperação com autoridades policiais deverão continuar como pilares da estratégia de fiscalização.

Editó: @fonta

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