Restrições à Publicidade de Bets Entram em Vigor no Rio Grande do Sul
Brasil.- 27 de Agosto de 2026 | www.zonadeazar.com A Lei Estadual nº 16.508 do Rio Grande do Sul passou a produzir plenamente seus efeitos jurídicos após o encerramento do período de 120 dias concedido para adaptação das empresas e anunciantes.
A norma estabelece fortes restrições sobre publicidade e patrocínio de plataformas de apostas de quota fixa, enquanto permanece pendente no Supremo Tribunal Federal uma ação que questiona sua constitucionalidade.
Restrições Já São Exigíveis
A lei foi sancionada pelo governador Eduardo Leite em 24 de abril de 2026.
Com o fim do prazo de adaptação, as operadoras licenciadas em âmbito nacional precisam ajustar as campanhas divulgadas no estado às novas exigências regionais.
A entrada em vigor ocorre sem que a ministra Cármen Lúcia, relatora da Ação Direta de Inconstitucionalidade 7.971, tenha decidido sobre o pedido de suspensão cautelar.
Publicidade Somente Entre 21h e 6h
Uma das principais medidas envolve a publicidade audiovisual de apostas.
Os anúncios somente poderão ser transmitidos entre 21h e 6h em:
- Televisão aberta.
- Televisão por assinatura.
- Serviços de streaming.
- Vídeo sob demanda.
- Rádio.
A restrição estabelece uma faixa noturna obrigatória para a comunicação comercial do setor.
15% dos Anúncios para Advertências
A legislação exige ainda que pelo menos 15% da superfície das peças publicitárias seja destinada a mensagens de advertência.
Os avisos deverão abordar:
- Riscos de dependência.
- Riscos de superendividamento.
- Proibição da participação de menores.
- Canais de atendimento psicológico.
Nos conteúdos audiovisuais, as mensagens faladas deverão utilizar o mesmo volume e velocidade do conteúdo principal da publicidade.
Proteção de Crianças e Jovens
A lei estabelece restrições específicas para impedir que campanhas de apostas sejam especialmente atraentes para menores.
Fica proibido utilizar:
- Animações destinadas ao público infantil.
- Mascotes.
- Personagens de ficção.
- Ferramentas de inteligência artificial com apelo juvenil.
- Imagem ou voz de menores.
- Personalidades com forte influência entre públicos jovens.
A proteção da infância é um dos principais argumentos utilizados pelo estado para defender a norma.
Novas Regras para Patrocínios
A publicidade de apostas em espaços esportivos e culturais fica proibida de maneira geral.
Existem exceções para:
- Patrocinadores oficiais de eventos.
- Titulares de naming rights.
- Patrocinadores formais de entidades esportivas.
No esporte profissional, a presença das marcas nos uniformes deverá se limitar à identificação gráfica, sem incentivos diretos às apostas.
Proibição no Esporte Não Profissional
A legislação é ainda mais rigorosa quando envolve menores.
Nas categorias não profissionais, qualquer patrocínio de apostas envolvendo atletas menores de 18 anos fica proibido.
A medida busca reduzir a exposição de crianças e adolescentes às marcas de gambling dentro do ambiente esportivo.
Sem Odds ou Bônus Durante Transmissões
A lei também proíbe, durante transmissões esportivas ao vivo:
- Divulgação de odds.
- Bônus promocionais.
- Convites ativos para apostar.
A restrição afeta uma das principais formas de marketing utilizadas por sportsbooks durante eventos esportivos.
ANJL Questiona Constitucionalidade
A Associação Nacional de Jogos e Loterias apresentou em 19 de maio a Ação Direta de Inconstitucionalidade 7.971 no STF.
A entidade sustenta que a regulamentação da publicidade de apostas é competência privativa do Governo federal.
O argumento considera que a matéria já é regulamentada nacionalmente pela Lei Federal nº 14.790/2023 e pela Portaria SPA/MF nº 1.231/2024.
AGU e PGR Apoiam Contestação
Duas importantes instituições federais se posicionaram contra a legislação estadual.
A Advocacia-Geral da União manifestou em junho entendimento pela inconstitucionalidade da norma.
Posteriormente, em 17 de agosto, o procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco, recomendou sua suspensão cautelar imediata.
Rio Grande do Sul Defende Competência
A Assembleia Legislativa e o Governo do Rio Grande do Sul defendem uma interpretação diferente.
As autoridades estaduais argumentam que a Constituição concede competências concorrentes em matérias relacionadas a:
- Proteção da saúde.
- Defesa do consumidor.
- Proteção de crianças e adolescentes.
O conflito constitucional deverá ser definido pelo Supremo Tribunal Federal.
PROCON-RS Fiscalizará a Lei
A fiscalização da norma ficará sob responsabilidade da Superintendência de Proteção ao Consumidor do Rio Grande do Sul.
O PROCON-RS poderá aplicar sanções progressivas em caso de descumprimento.
Entre elas estão:
- Advertências formais.
- Multas econômicas cumulativas.
- Contrapropaganda.
- Suspensão temporária das campanhas entre 30 e 180 dias.
- Cancelamento da inscrição estadual em situações de reincidência continuada.
Responsabilidade Solidária
A legislação também estabelece responsabilidade solidária entre diferentes atores envolvidos na divulgação de publicidade irregular.
Podem ser responsabilizados:
- Operadoras de apostas.
- Agências de publicidade.
- Meios de comunicação.
- Provedores de internet.
Os provedores deverão remover conteúdos infratores após receberem notificação formal das autoridades competentes.
Contexto do Setor
A entrada em vigor da norma amplia o debate sobre a convivência entre regulamentação federal e legislações estaduais dentro do mercado brasileiro de apostas.
Desde janeiro de 2025, o Brasil possui um sistema nacional de licenciamento das apostas de quota fixa.
A criação de regras regionais mais restritivas gera preocupação na indústria diante da possibilidade de fragmentação regulatória, com obrigações publicitárias diferentes em cada estado.
Próximos Passos ou Impacto
Enquanto o STF não conceder uma medida cautelar ou emitir uma decisão definitiva, as operadoras deverão cumprir as exigências do Rio Grande do Sul.
O julgamento da ADI 7.971 será relevante para definir até que ponto os estados brasileiros podem estabelecer regras próprias de publicidade de apostas além das exigências federais.
A decisão poderá ter consequências para outros estados que avaliam restrições semelhantes e para a uniformidade do mercado nacional regulamentado.
Editó: @fonta


