MP da Bahia Aciona Três Empresas por Pagamentos a Bets Ilegais

Brasil.- 10 de Setembro de 2026 | www.zonadeazar.com O Ministério Público do Estado da Bahia ajuizou uma ação civil pública contra três empresas acusadas de participar da intermediação de pagamentos destinados a plataformas ilegais de apostas de quota fixa.

A ação envolve Nuoro Pay Instituição de Pagamento Ltda., Select Credit Sociedade de Crédito ao Microempreendedor e Empresa de Pequeno Porte Ltda. e Cartos Sociedade de Crédito Direto S.A.

As acusações ainda deverão ser analisadas no processo judicial.

Empresas Envolvidas

A ação alcança:

  • Nuoro Pay Instituição de Pagamento Ltda.
  • Select Credit Sociedade de Crédito ao Microempreendedor e Empresa de Pequeno Porte Ltda.
  • Cartos Sociedade de Crédito Direto S.A.

A investigação analisa o papel que cada companhia teria desempenhado no processamento de pagamentos e na infraestrutura relacionada a plataformas não autorizadas.

Intermediação de Pagamentos Sob Investigação

Segundo a promotora de Justiça Joseane Suzart, autora da ação, Nuoro Pay e Select Credit teriam intermediado pagamentos destinados a casas de apostas sem autorização.

O Ministério Público também sustenta que as empresas não teriam adotado diligências consideradas necessárias para verificar a idoneidade das beneficiárias nem monitorado adequadamente transações classificadas como atípicas.

Papel Atribuído à Cartos

No caso da Cartos, a acusação afirma que a empresa teria disponibilizado tecnologia e infraestrutura utilizadas para viabilizar a intermediação de pagamentos junto à Nuoro Pay.

Sua suposta participação integra a estrutura que agora será examinada judicialmente.

Investigação Começou Após Denúncia de Consumidor

A investigação teve início depois de uma representação apresentada por um consumidor.

O denunciante afirmou ter sido vítima de um suposto golpe envolvendo plataformas de apostas e intermediadoras de pagamento.

O prejuízo relatado teria ultrapassado R$ 100 mil.

Informações Enviadas a Outros Órgãos

O consumidor também levou informações a diferentes autoridades brasileiras.

Entre elas:

  • Ministério da Fazenda.
  • Conselho de Controle de Atividades Financeiras.
  • Banco Central.
  • Ministério Público do Paraná.
  • Receita Federal.
  • Polícia Federal.

O caso envolve, portanto, questões de proteção ao consumidor, supervisão financeira e combate às operações ilegais.

Dificuldade para Rastrear os Recursos

Durante a investigação, o MPBA identificou comprovantes nos quais nem sequer aparecia o nome da plataforma de apostas relacionada à transação.

Para o órgão, essa característica dificultaria a identificação do destino final dos valores.

A investigação sustenta que as plataformas analisadas não receberiam necessariamente os recursos diretamente dos jogadores.

Uso de Fintechs e Intermediadoras

Segundo os elementos reunidos, os valores circulariam através de:

  • Fintechs.
  • Intermediadoras de pagamento.
  • Empresas receptoras.
  • Outras estruturas financeiras.

Esse modelo, segundo o Ministério Público, pode dificultar o rastreamento completo dos recursos e a identificação dos beneficiários finais.

Mais de 1.500 Reclamações Relacionadas à Nuoro Pay

O MPBA também realizou um levantamento em plataformas de reclamações de consumidores.

Em consulta realizada em julho de 2025 foram identificados 1.536 registros relacionados à Nuoro Pay.

Entre eles estavam:

  • Pedidos de estorno.
  • Reclamações sobre problemas não solucionados.
  • Relatos de supostas fraudes financeiras.
  • Situações relacionadas a jogos e apostas.

Os registros integram os elementos avaliados durante a investigação.

Pedido de Bloqueio de R$ 5 Milhões

O Ministério Público solicitou o bloqueio de bens, direitos e ativos financeiros das empresas e de seus sócios.

O limite solicitado é de R$ 5 milhões.

O objetivo é preservar recursos que eventualmente possam ser utilizados para cumprir obrigações financeiras decorrentes do processo.

Desconsideração da Personalidade Jurídica

O MPBA também solicitou a desconsideração da personalidade jurídica das três empresas.

Caso o pedido seja aceito, os sócios poderão ser incluídos diretamente na ação.

A medida busca impedir que a estrutura societária dificulte uma eventual responsabilização patrimonial determinada judicialmente.

Pedido de Encerramento das Empresas

Entre as medidas mais severas solicitadas está o encerramento definitivo das atividades de:

  • Nuoro Pay.
  • Select Credit.
  • Cartos.

O pedido ainda deverá ser analisado pela Justiça e não representa uma condenação das companhias.

Novos Controles Sobre Transações

O Ministério Público também requer que as empresas sejam obrigadas a implementar mecanismos adicionais de controle.

Entre eles está a consulta às listas de operadoras de apostas autorizadas e não autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.

O objetivo é impedir que intermediadoras financeiras processem recursos relacionados a plataformas não autorizadas.

Pagamentos Como Frente de Combate ao Mercado Ilegal

O processo mostra que o combate às Bets ilegais não está limitado ao bloqueio de sites ou à atuação direta contra operadoras.

Os fluxos financeiros vêm se tornando outro ponto central da fiscalização.

Sem meios eficientes para receber depósitos e realizar pagamentos, plataformas ilegais encontram maiores dificuldades para operar no mercado brasileiro.

Contexto do Setor

O Brasil mantém um regime federal de autorização para apostas de quota fixa e jogos online regulamentados.

Paralelamente, as autoridades procuram reduzir o acesso das operadoras ilegais ao sistema financeiro.

Fintechs, processadoras de pagamentos e outras empresas da cadeia financeira passam, assim, a exercer papel cada vez mais relevante dentro das políticas de enforcement.

Próximos Passos ou Impacto

A Justiça deverá analisar agora os pedidos formulados pelo Ministério Público da Bahia.

Entre eles estão o bloqueio de até R$ 5 milhões em ativos, a inclusão dos sócios no processo, a adoção de novos controles sobre transações e o encerramento definitivo das três empresas.

O caso poderá se tornar um precedente relevante sobre as responsabilidades de intermediadoras financeiras que processam pagamentos relacionados a plataformas de apostas não autorizadas.

Editó: @fonta

Compartir: