Roraima Denuncia Dez Influenciadores por Promover Jogo Clandestino
Brasil.- 9 de Setembro de 2026 | www.zonadeazar.com O Ministério Público do Estado de Roraima denunciou dez influenciadores digitais por suposto envolvimento em um esquema relacionado à exploração de jogos de azar e à divulgação de plataformas clandestinas.
A investigação sustenta que os denunciados utilizavam redes sociais para captar novos jogadores e direcioná-los para plataformas não autorizadas, incluindo sites que ofereciam jogos como Fortune Tiger, popularmente conhecido como Tigrinho.
R$ 67,5 Milhões Sob Investigação
Segundo a denúncia apresentada pela Promotoria de Justiça Especializada em Organização Criminosa e Lavagem de Capitais, os investigados receberam conjuntamente aproximadamente R$ 67,5 milhões.
Os recursos teriam sido pagos por empresas intermediadoras de pagamentos ligadas ao sistema de apostas eletrônicas.
As movimentações investigadas ocorreram entre janeiro de 2023 e outubro de 2024.
Promoção pelas Redes Sociais
O Ministério Público afirma que os influenciadores utilizaram diferentes formatos digitais para divulgar as plataformas.
Entre eles estavam:
- Stories.
- Reels.
- Vídeos.
- Links personalizados.
As publicações exibiam supostos ganhos, além de veículos, imóveis, viagens e outros bens, com o objetivo de atrair seguidores por meio da expectativa de lucro rápido.
Comissões por Novos Jogadores
Os usuários eram direcionados através dos links promocionais às plataformas para realizar cadastro e depósitos.
Segundo a investigação, os influenciadores recebiam comissões pela captação de novos apostadores.
As redes sociais teriam funcionado, assim, como um dos principais canais de aquisição de clientes para as plataformas investigadas.
Contas de Demonstração
A investigação também identificou o suposto uso de contas de demonstração fornecidas pelas próprias plataformas.
Essas contas teriam sido utilizadas para mostrar ganhos elevados que não representavam as condições reais oferecidas aos usuários comuns.
A estratégia teria como objetivo criar a percepção de que era possível obter lucros frequentes e elevados através dos jogos divulgados.
Incentivo para Continuar Apostando
Segundo o Ministério Público, após realizarem depósitos os usuários visualizavam supostos lucros e eram incentivados a continuar jogando.
No entanto, a investigação afirma que alguns clientes encontravam bloqueios ou negativas quando tentavam sacar valores maiores.
Essas práticas fazem parte dos elementos apresentados na denúncia.
Três Núcleos Interligados
A denúncia descreve uma estrutura dividida em três núcleos.
O Núcleo Operacional e Empresarial reuniria responsáveis pela administração das plataformas clandestinas, operadores financeiros e empresas intermediadoras de pagamento.
O Núcleo de Divulgação e Captação seria formado pelos influenciadores responsáveis pela promoção dos jogos e atração de novos usuários.
Por fim, o Núcleo de Ocultação Financeira teria atuado para ocultar ou dissimular a origem e a propriedade dos recursos obtidos através do esquema.
Suspeita de Lavagem de Dinheiro
De acordo com a investigação, os recursos teriam sido movimentados entre diferentes instituições financeiras, contas pessoais e contas empresariais.
Também são analisadas transferências realizadas entre os próprios denunciados e terceiros.
As autoridades consideram que essa estrutura pode ter sido utilizada para dificultar a identificação da origem e do destino dos recursos.
Recursos Incorporados ao Patrimônio
Parte dos valores supostamente obtidos através das plataformas teria sido incorporada ao patrimônio dos envolvidos.
Entre os gastos e aquisições identificados estão:
- Veículos.
- Imóveis.
- Viagens.
- Procedimentos estéticos.
- Outros bens de alto valor.
Essas movimentações integram a análise financeira realizada durante a investigação.
Crimes Incluídos na Denúncia
Além do suposto envolvimento com jogos clandestinos, os denunciados respondem por diferentes acusações.
Entre elas estão:
- Afirmações falsas ou enganosas sobre produtos ou serviços.
- Indução do consumidor a erro.
- Crimes contra a economia popular.
- Associação criminosa.
- Lavagem de dinheiro.
Três dos denunciados também foram acusados de estelionato.
As acusações ainda serão analisadas judicialmente e não representam uma condenação prévia.
Declarações
O promotor de Justiça Carlos Alberto Melotto afirmou que o esquema investigado teria explorado a confiança das pessoas e a expectativa de obter ganhos financeiros.
Segundo o representante do Ministério Público, as perdas podem comprometer tanto a renda quanto o patrimônio das vítimas.
Melotto destacou ainda que a atuação do órgão busca interromper esse ciclo, responsabilizar os envolvidos e impedir que estruturas semelhantes continuem utilizando as redes sociais para alcançar novos consumidores.
Reparação dos Danos
Além da condenação dos envolvidos, o Ministério Público solicitou a fixação de um valor mínimo para reparação dos danos causados às vítimas.
O montante ainda não foi definido.
A eventual quantificação dependerá das provas apresentadas e avaliadas durante o processo.
Contexto do Setor
O Brasil aumentou nos últimos anos a fiscalização sobre publicidade e operação de plataformas de apostas não autorizadas.
A utilização de influenciadores para divulgar jogos clandestinos se tornou uma preocupação particular devido ao alcance dessas figuras nas redes sociais.
A regulamentação das apostas de quota fixa também reforçou a diferenciação entre empresas autorizadas pelo Governo Federal e plataformas que continuam oferecendo produtos fora do mercado legal.
Próximos Passos ou Impacto
A denúncia seguirá agora dentro do sistema judicial brasileiro.
As autoridades buscarão estabelecer as responsabilidades individuais dos acusados, a origem dos aproximadamente R$ 67,5 milhões investigados e a extensão dos eventuais prejuízos causados aos usuários.
O caso também aumenta a pressão sobre influenciadores e afiliados para verificar a situação regulatória das plataformas que promovem, principalmente quando as campanhas utilizam promessas de ganhos ou incentivos para captar novos jogadores.
Editó: @fonta


