Experiência da China Entra no Debate Brasileiro Sobre as Bets
Brasil.- 22 de Setembro de 2026 | www.zonadeazar.com O debate brasileiro sobre possíveis novas restrições às apostas online passou a incorporar a experiência da China, país que mantém uma política amplamente proibitiva sobre jogos, mas continua enfrentando atividade clandestina e transfronteiriça relevante.
O caso chinês não permite prever o que ocorreria no Brasil diante de uma eventual redução da oferta legal. Ele oferece, porém, elementos para uma questão central: o que acontece com a demanda quando determinados produtos deixam de estar disponíveis no mercado regulamentado.
Jogos Proibidos Desde 1949
Na China continental, as atividades de gambling permanecem proibidas desde 1949, com exceção das loterias autorizadas pelo Estado.
O país mantém dois grandes sistemas oficiais:
- Loteria Esportiva.
- Loteria de Bem-Estar.
Fora desses canais, as apostas estão sujeitas a fortes restrições.
Regras Mais Duras Contra Apostas no Exterior
A China também reforçou sua legislação contra o gambling transfronteiriço.
Em 2020, o país endureceu as regras contra a organização de atividades destinadas a levar cidadãos chineses a apostar no exterior.
O objetivo foi limitar tanto a oferta ilegal quanto a saída de recursos para operadores estrangeiros.
Loterias Oficiais Movimentaram CNY 627,97 Bilhões
Em 2025, as loterias oficiais chinesas registraram aproximadamente CNY 627,97 bilhões em vendas.
Do total:
- CNY 419,39 bilhões vieram da loteria esportiva.
- CNY 208,58 bilhões vieram da loteria de bem-estar.
Os números mostram a dimensão do mercado permitido pelo Estado.
Estimativa de CNY 1 Trilhão no Exterior
Em 2020, um alto funcionário do Ministério da Segurança Pública da China estimou que aproximadamente CNY 1 trilhão por ano saía do país em recursos vinculados a apostas no exterior.
Na cotação daquele período, o valor equivalia a cerca de USD 145 bilhões.
Dados Não São Diretamente Comparáveis
Os dados das loterias oficiais e a estimativa de apostas internacionais pertencem a períodos e metodologias diferentes.
Por isso, não devem ser comparados diretamente.
Servem principalmente para ilustrar a escala potencial das atividades legais e clandestinas.
Operadoras Fora da China
Parte da oferta destinada a jogadores chineses migrou para outros países asiáticos.
Redes e plataformas passaram a atuar em jurisdições como:
- Filipinas.
- Camboja.
- Mianmar.
- Laos.
A partir desses mercados, alguns operadores continuaram atendendo usuários chineses.
Meios Alternativos de Pagamento
A atividade clandestina também se adaptou às restrições financeiras.
Entre os mecanismos identificados estão:
- Criptomoedas.
- Contas de terceiros.
- Sistemas informais de pagamento.
- Redes financeiras clandestinas.
Esses instrumentos dificultam a fiscalização pelos canais bancários tradicionais.
Operação de Grande Escala nas Filipinas
Uma investigação citada no estudo identificou nas Filipinas uma operação que teria movimentado aproximadamente CNY 725,5 bilhões, equivalente a cerca de USD 100,8 bilhões.
A estrutura teria envolvido mais de 50 mil agentes chineses e quase um milhão de contas registradas.
Os números se referem a uma operação investigada específica e não devem ser generalizados para todo o mercado.
Proteção do Apostador
Uma das principais diferenças entre mercados regulamentados e ilegais está nas ferramentas de proteção.
Plataformas clandestinas podem operar sem:
- Limites de depósito.
- Autoexclusão.
- Verificação efetiva de idade.
- Controles de identidade.
- Canais formais de reclamação.
- Supervisão regulatória.
Nessas situações, o jogador possui menos mecanismos para contestar abusos ou recuperar recursos.
Riscos Criminais Mais Amplos
Investigações internacionais associaram algumas redes clandestinas do Sudeste Asiático a atividades criminosas além das apostas.
Entre elas:
- Lavagem de dinheiro.
- Fraude online.
- Bancos clandestinos.
- Golpes digitais.
- Trabalho forçado.
Isso não significa que a proibição gere automaticamente esses crimes, mas mostra que alguns operadores ilegais podem se conectar a estruturas criminosas mais amplas.
73 Mil Casos de Fiscalização
O levantamento citado registra aproximadamente 73 mil casos relacionados ao combate às apostas na China em 2024.
Mais de 4.500 sites também teriam sido fechados no mesmo período.
Apesar da repressão, novas plataformas e mecanismos continuaram surgindo.
Pagamentos e Tecnologia
A experiência chinesa destaca uma questão importante para a fiscalização: bloquear um domínio não necessariamente elimina uma operação.
Organismos internacionais indicam que o combate ao mercado ilegal também precisa alcançar:
- Pagamentos.
- Publicidade.
- Fornecedores tecnológicos.
- Infraestrutura.
- Redes de afiliados.
- Sistemas financeiros.
Debate Aberto no Brasil
O caso entra no debate brasileiro em um momento no qual o Governo federal discute possíveis novas restrições às apostas.
Entre as preocupações apresentadas pelo poder público estão:
- Endividamento.
- Jogo problemático.
- Proteção social.
- Saúde pública.
As medidas concretas ainda dependem de decisões regulatórias e legislativas.
Possível Restrição aos Casinos Online
Entre as alternativas discutidas aparece a possibilidade de restringir ou proibir determinados produtos de casino online.
Enquanto não houver texto normativo definitivo, porém, o alcance de qualquer eventual medida continua indefinido.
Posição de Clubes e Federações
Clubes e entidades esportivas brasileiras defendem a manutenção do mercado regulamentado.
Um de seus argumentos é que uma redução da oferta legal poderia levar parte dos apostadores para plataformas clandestinas.
Essa é uma posição do setor e integra um debate público ainda em andamento.
Receita Para o Esporte
As entidades também destacam que os patrocínios de operadoras autorizadas se tornaram fonte relevante de receita para:
- Clubes.
- Competições.
- Divisões de acesso.
- Entidades esportivas.
- Propriedades de menor exposição comercial.
Ao mesmo tempo, organizações do setor reconhecem a necessidade de ampliar prevenção e jogo responsável.
Dois Desafios Diferentes
O debate brasileiro reúne dois problemas distintos.
Por um lado:
- Reduzir danos.
- Combater comportamento compulsivo.
- Proteger consumidores vulneráveis.
Por outro:
- Manter canalização para operadoras legais.
- Evitar crescimento do mercado clandestino.
- Bloquear pagamentos e publicidade ilegal.
China Não É Brasil
As diferenças entre os dois países são profundas.
China e Brasil possuem:
- Sistemas políticos diferentes.
- Estruturas jurídicas diferentes.
- Sistemas financeiros diferentes.
- Modelos regulatórios diferentes.
- Históricos distintos de gambling.
Por isso, o caso chinês não pode ser utilizado como previsão automática para o Brasil.
Uma Questão Sobre a Demanda
A principal questão levantada pelo caso é mais específica: retirar uma oferta legal não significa necessariamente eliminar a demanda correspondente.
Quando essa demanda permanece, a eficácia da política depende da capacidade do Estado de controlar os canais alternativos.
Contexto do Setor
O Brasil mantém desde 2025 um mercado federal regulamentado de apostas de quota fixa.
Desde então, o debate regulatório avançou para temas como:
- Fiscalização.
- Publicidade.
- Proteção ao jogador.
- Operadores ilegais.
- Pagamentos.
- Responsabilidade social.
A discussão sobre novas restrições representa mais uma etapa desse processo.
Próximos Passos ou Impacto
O debate brasileiro precisará definir não apenas quais produtos poderão ser restringidos, mas também como controlar eventual migração da demanda para operadores não autorizados.
A experiência da China oferece evidências de que mercados clandestinos podem persistir mesmo diante de estruturas fortemente proibitivas.
Para o Brasil, o desafio será equilibrar proteção ao consumidor, redução de danos e capacidade efetiva de fiscalização sem partir da premissa de que eliminar a oferta legal elimina automaticamente a procura por apostas.
Editó: @fonta


