Federação Mexicana Processa Kalshi pelo Uso de Marcas da Liga MX
México.- 24 de Setembro de 2026 | www.zonadeazar.com A Federação Mexicana de Futebol, FMF, entrou com uma ação federal contra a Kalshi pelo uso da marca Liga MX, nomes de clubes e determinados dados em mercados esportivos oferecidos pela plataforma de prediction markets.
A ação foi apresentada em 22 de setembro ao Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Sul de Nova York.
Novo Fronte Jurídico Para a Kalshi
O processo abre uma nova frente jurídica para a empresa.
Grande parte dos litígios envolvendo a Kalshi se concentra na discussão sobre se seus contratos esportivos estão submetidos exclusivamente ao regime federal de commodities ou também às leis estaduais de gambling.
O caso da FMF é focado em propriedade intelectual.
Alegações da FMF
A Federação acusa a Kalshi de utilizar sem autorização:
- A marca Liga MX.
- Nomes de clubes.
- Logos associados à competição.
- Informações da FMF para determinar resultados.
As alegações ainda deverão ser analisadas pelo tribunal.
Possível Confusão Sobre Associação Oficial
A FMF argumenta que o uso do nome Liga MX e das identidades dos clubes pode levar usuários a acreditar que existe uma relação comercial, autorização ou parceria oficial.
A Kalshi contesta essa interpretação.
O Que a Federação Pede
A FMF solicita diferentes medidas judiciais.
Entre elas:
- Temporary restraining order.
- Preliminary injunction.
- Permanent injunction.
- Indenização por danos.
- Restituição de lucros supostamente vinculados à infração.
O tribunal ainda não decidiu sobre esses pedidos.
Disputa Começou em Julho
O conflito começou antes da ação judicial.
Em 17 de julho, Rafael García Job, General Counsel da FMF, enviou uma carta de cease-and-desist à Kalshi.
A Federação exigiu o fim do uso dos logos da Liga MX, logos de clubes e outras marcas protegidas.
Resposta da Kalshi
A Kalshi respondeu em 21 de julho.
A empresa afirmou que o uso da marca Liga MX e dos nomes de clubes estava protegido pelo conceito de nominative fair use.
Nominative Fair Use
Esse princípio jurídico pode permitir, em determinadas circunstâncias, o uso de uma marca registrada quando isso é necessário para identificar o produto, serviço ou organização em questão.
A aplicação desse conceito ao caso concreto será um dos principais pontos da disputa.
Logos Retirados
Após as primeiras objeções da FMF, a Kalshi retirou alguns logos.
A empresa também adicionou disclaimers buscando esclarecer que não existia vínculo oficial com a Federação ou com os clubes.
Nomes Continuaram em Uso
Apesar disso, a Kalshi manteve referências textuais à Liga MX e a determinados clubes.
Esse ponto passou a ser o centro do conflito.
Novo Pedido da FMF
A Federação voltou a reclamar em 27 de julho.
Em 6 de agosto, Jovalin Dedaj, Head of Litigation da Kalshi, reiterou a posição de que o uso estava limitado à identificação textual dos mercados regulamentados pela CFTC.
Blank Rome Assume o Caso
Posteriormente, a FMF contratou o escritório Blank Rome LLP para representá-la nos Estados Unidos.
Em 18 de agosto, o escritório enviou outra carta de cease-and-desist dando dez dias úteis para a Kalshi cumprir as exigências.
Kalshi Mantém Sua Posição
Em 1º de setembro, a plataforma voltou a rejeitar a interpretação da Federação.
A companhia sustentou que os nomes são necessários para informar claramente aos usuários qual evento está sendo negociado.
Comparação com Apple
De acordo com a ação, a Kalshi utilizou uma analogia com o mercado financeiro.
A empresa comparou seu uso da marca Liga MX com empresas de investimento que utilizam o nome Apple para identificar ativos vinculados à companhia.
FMF Questiona a Comparação
A Federação discorda.
Como argumento, destacou que a própria Kalshi utiliza denominações genéricas em outros mercados esportivos.
“Pro Baseball”
Segundo a ação, a Kalshi utiliza a expressão “Pro Baseball” em determinados mercados em vez de Major League Baseball.
Também pode identificar equipes apenas por suas cidades.
“The Big Game”
Para mercados relacionados ao Super Bowl, a plataforma utiliza termos como:
- Pro Football Champion.
- The Big Game.
A FMF argumenta que esses exemplos mostram a possibilidade de utilizar descrições alternativas.
MMA em Vez de UFC
A Federação também menciona que a Kalshi utiliza MMA em alguns mercados em vez de referências à marca UFC.
Isso faz parte do argumento de que também existiriam alternativas para Liga MX.
Argumento Sobre Clubes Mexicanos
A Kalshi sustenta que o futebol mexicano apresenta uma dificuldade específica.
Existem cidades com clubes competindo em diferentes divisões profissionais, o que poderia tornar uma simples referência geográfica insuficiente para identificar o time correto.
Dados Para Resolver Mercados
A ação também questiona o uso de informações produzidas pela FMF para determinar resultados.
A Federação afirma que determinadas regras de mercado da Kalshi utilizam seus dados como fonte para decidir se um contrato termina como vencedor ou perdedor.
Sem Autorização Para os Dados
A FMF afirma que nunca concedeu permissão para esse uso.
O conflito, portanto, envolve tanto propriedade intelectual quanto a utilização de informações produzidas pela entidade.
Contratos Esportivos
A Kalshi oferece contratos relacionados a resultados esportivos por meio de um exchange regulamentado em nível federal.
A empresa afirma que esses produtos são event contracts submetidos à supervisão da Commodity Futures Trading Commission, CFTC.
Conflitos Estaduais
Separadamente, reguladores e procuradores estaduais dos Estados Unidos argumentam que determinados contratos esportivos funcionam como apostas e deveriam cumprir as leis estaduais de gambling.
Esses processos continuam em disputa judicial.
Questão Jurídica Diferente
O processo da FMF aborda outro tema.
A principal questão será definir até onde uma plataforma pode utilizar propriedade intelectual esportiva de terceiros para identificar os produtos oferecidos.
Antecedente com a NCAA
A Kalshi já enfrentou objeções semelhantes em 2026.
A NCAA questionou o uso de expressões registradas vinculadas ao seu torneio de basquete universitário.
Termos de March Madness Foram Removidos
Após a reclamação da NCAA, a Kalshi retirou referências como:
- March Madness.
- Sweet Sixteen.
- Final Four.
As expressões foram substituídas por descrições genéricas.
Diferença com Liga MX
O caso da NCAA não chegou aos tribunais.
No conflito da Liga MX, a Kalshi retirou alguns logos e incluiu disclaimers, mas manteve os nomes contestados.
A ausência de acordo levou à ação federal.
Caso FlightAware
A FlightAware também processou a Kalshi em agosto pelo uso de sua marca e dados em contratos sobre cancelamento de voos.
A ação foi retirada no dia seguinte depois que a Kalshi removeu as referências questionadas de determinadas regras de mercado.
Propriedade Intelectual Como Novo Desafio
Os casos mostram que o crescimento dos prediction markets cria questões que vão além da regulação financeira e de gambling.
Também surgem debates sobre:
- Marcas.
- Direitos sobre dados.
- Direitos comerciais.
- Patrocínios.
- Associações oficiais.
- Uso de informações de terceiros.
Importância Para Entidades Esportivas
Grandes competições esportivas geram valor comercial significativo através de suas marcas e dados.
Por isso, o uso desses ativos por plataformas externas pode se transformar em uma questão estratégica.
Contexto do Setor
Os prediction markets esportivos estão crescendo rapidamente nos Estados Unidos.
Essa expansão cria novas relações entre exchanges, ligas, clubes, fornecedores de dados e reguladores.
O processo da Liga MX poderá se tornar um teste relevante sobre os limites para o uso de propriedade intelectual esportiva na identificação de event contracts.
Próximos Passos ou Impacto
O Tribunal do Distrito Sul de Nova York deverá analisar os pedidos cautelares apresentados pela Federação Mexicana de Futebol.
A FMF terá de sustentar suas alegações de infração, enquanto a Kalshi poderá defender sua posição baseada em nominative fair use e na necessidade de identificar claramente os mercados.
O resultado poderá ter consequências mais amplas para plataformas de prediction markets que utilizam nomes de ligas, clubes e outras marcas esportivas para estruturar e promover seus contratos.
Editó: @fonta


