Reino Unido Debate Identidade Regulatória dos Salões de Bingo

Reino Unido.- 29 de Setembro de 2026 | www.zonadeazar.com O mercado britânico de bingo enfrenta um debate regulatório depois que as máquinas de jogos passaram a gerar quase o dobro da receita obtida pelo próprio bingo nos estabelecimentos licenciados.

No ano encerrado em março de 2026, as máquinas geraram £461,7 milhões em GGY, contra £242,1 milhões provenientes do bingo.

As máquinas representaram, portanto, quase dois terços do GGY combinado do setor.

Máquinas Ganham Espaço

A tendência se intensificou nos últimos anos.

O GGY das máquinas em estabelecimentos de bingo passou de aproximadamente £293 milhões em 2019-20 para £462 milhões em 2025-26, crescimento de 57%.

As máquinas da Categoria B geraram cerca de £361 milhões e responderam por aproximadamente 78% do GGY de máquinas.

High-Street Bingo Sob Análise

O principal foco regulatório está nos estabelecimentos menores localizados em áreas comerciais.

Entre operadores concentrados nesse formato, menos de 1% do GGY vem do bingo, enquanto as máquinas geram aproximadamente 99%.

Nos clubes tradicionais, por outro lado, o bingo ainda representa aproximadamente metade da receita.

Bingo ou Adult Gaming Centre

O desafio é determinar quando um local com licença de bingo continua sendo efetivamente um salão de bingo e quando funciona, na prática, como um adult gaming centre.

As regras exigem instalações “substanciais” para bingo presencial, mas não estabelecem:

  • Área mínima dedicada ao bingo.
  • Número mínimo de posições.
  • Percentual mínimo de receita.
  • Capacidade mínima de jogadores.

Essa flexibilidade permitiu novos formatos, mas também criou uma zona cinzenta.

Diferenças Entre Licenças

Locais de bingo e AGCs podem oferecer determinadas máquinas B3 e B4 sob limites semelhantes.

No entanto, os estabelecimentos de bingo podem oferecer modalidades que não estão disponíveis em AGCs e também podem solicitar licença para venda de álcool.

A categoria da licença também influencia esquemas de autoexclusão e avaliações das autoridades locais.

Consulta do Governo

O Governo britânico reconheceu o problema em uma consulta lançada em outubro de 2025.

Entre as propostas estava a criação obrigatória de uma área claramente definida para bingo.

As opções avaliadas exigiam que 30%, 40% ou 50% do espaço formasse uma área contínua dedicada ao jogo.

Número Mínimo de Posições

A consulta também analisou a possibilidade de estabelecer um número mínimo de posições de bingo.

As alternativas incluíam 30 ou 40 lugares, além de fórmulas vinculadas ao tamanho da área destinada ao bingo.

Operadores predominantemente orientados a máquinas poderiam optar por converter suas licenças para AGC.

Setor em Transformação

O número de clubes tradicionais caiu de 335 em dezembro de 2018 para 248 em agosto de 2024.

Ao mesmo tempo, o número total de estabelecimentos licenciados como bingo aumentou de 688 para 714 em março de 2026, impulsionado por formatos menores nas high streets.

As máquinas representavam 44% do GGY do setor em 2014 e chegaram a 65,6% em 2025-26.

Desafio Regulatório

O crescimento de locais orientados a máquinas não significa necessariamente que essas empresas estejam operando ilegalmente.

O problema é que a legislação atual não estabelece claramente quanto bingo precisa ser oferecido para que um estabelecimento possa ser considerado um bingo hall.

O Governo precisa equilibrar a inovação de formatos híbridos com a necessidade de impedir que uma oferta mínima de bingo seja utilizada apenas para manter uma categoria regulatória diferente.

Próximos Passos ou Impacto

A consulta foi encerrada em janeiro de 2026, mas o setor ainda aguarda a resposta definitiva do Governo.

Uma eventual reforma poderá estabelecer exigências concretas sobre espaço, número de posições e visibilidade do bingo.

Para os operadores, o resultado pode exigir mudanças no layout dos estabelecimentos, nos modelos comerciais ou até na categoria das licenças.

O debate revela uma transformação estrutural do bingo britânico: os clubes tradicionais perdem espaço enquanto crescem formatos menores nos quais as máquinas se tornaram a principal fonte de receita.

Editó: @fonta

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