África do Sul Avança com Plano para Bloquear Sites de Jogo Ilegal

África do Sul.- 25 de Agosto de 2026 | www.zonadeazar.com O National Gambling Board (NGB) da África do Sul avança com um projeto destinado a reforçar o combate ao jogo online ilegal por meio de uma capacidade permanente de monitoramento, bloqueio e rastreamento de plataformas offshore.

O regulador abriu um processo de Expression of Interest para identificar fornecedores capazes de detectar sites direcionados a consumidores sul-africanos, bloquear o acesso e acompanhar plataformas que reapareçam posteriormente.

O prazo para envio das propostas termina em 4 de setembro de 2026.

Processo Ainda é Exploratório

A Expression of Interest foi publicada originalmente em 30 de junho e alterada em 17 de julho.

O prazo inicial, previsto para 7 de agosto, foi prorrogado até 4 de setembro após uma sessão informativa com potenciais interessados.

O NGB deixou claro que essa etapa ainda não garante a contratação de nenhum fornecedor.

As respostas serão utilizadas para desenvolver as especificações de um possível Request for Proposal ou processo formal de licitação.

Monitoramento, Perfil e Bloqueio

O serviço proposto teria diferentes funções.

Entre elas:

  • Monitorar sites de gambling ilegal direcionados aos sul-africanos.
  • Criar perfis dos operadores identificados.
  • Determinar país de origem, situação de licenciamento e propriedade.
  • Bloquear os sites identificados.
  • Reportá-los ao NGB.
  • Encaminhar informações às autoridades de enforcement.
  • Rastrear plataformas bloqueadas que posteriormente reapareçam.

O objetivo não é realizar uma única operação de bloqueio, mas estabelecer uma capacidade permanente.

Reaparecimento de Domínios é Desafio Central

Um dos principais problemas identificados pelo NGB é a facilidade com que operadoras offshore podem retornar após uma intervenção.

A autoridade pretende que o futuro fornecedor continue acompanhando as plataformas bloqueadas e permita novas ações quando forem identificados domínios alternativos ou sites espelho.

A estratégia busca, assim, substituir medidas pontuais por um sistema contínuo de enforcement digital.

Mercado Ilegal de Grande Escala

A dimensão do mercado não autorizado é um dos principais argumentos para a iniciativa.

Pesquisa encomendada pela South African Bookmakers’ Association atribui aproximadamente 62% da atividade de gambling online do país a operadoras ilegais.

O mesmo levantamento estima que mais de R50 bilhões em GGR por ano sejam direcionados para plataformas offshore.

Interactive Gambling Continua Proibido

O jogo interativo continua ilegal sob o marco nacional sul-africano.

A National Gambling Amendment Act de 2008 buscou criar um sistema de licenciamento para essa atividade, mas nunca entrou em vigor.

O próprio NGB reconhece que a África do Sul ainda não possui uma política nacional definitiva para o interactive gambling e continua discutindo o tema com o National Gambling Policy Council.

NGB Busca Conhecer Soluções Disponíveis

Lungile Dukwana, Acting Chief Executive do NGB, descreveu a contratação como um exercício de avaliação de mercado.

A autoridade busca entender quais tecnologias e serviços estão disponíveis atualmente e como uma capacidade efetiva de bloqueio poderia ser estruturada.

Nesta fase, os interessados devem apresentar principalmente informações corporativas, documentação tributária quando aplicável e certificações ou licenças relevantes.

Fornecedores Devem Explicar Metodologia

A Expression of Interest também exige que os potenciais fornecedores expliquem como operariam o serviço.

As propostas devem incluir:

  • Metodologia.
  • Stakeholders necessários.
  • Autorizações exigidas.
  • Cartas de consentimento.
  • Etapas de implementação.
  • Soluções para os desafios atuais do NGB.
  • Possíveis fontes de receita capazes de sustentar o serviço.

Essas informações serão utilizadas para estruturar um eventual processo formal de contratação.

Provedores de Internet Questionam Modelo

A iniciativa enfrenta resistência da Internet Service Providers’ Association (ISPA).

A organização afirma que a legislação sul-africana não exige atualmente que provedores de internet bloqueiem sites de gambling sem licença.

A ISPA defende que qualquer regime de bloqueio tenha:

  • Base legislativa clara.
  • Supervisão judicial.
  • Obrigações limitadas no tempo.
  • Salvaguardas para evitar impactos sobre conteúdos legítimos.

Riscos Técnicos do Bloqueio

Os provedores também questionaram a eficácia prática de algumas ferramentas.

O bloqueio por domínio pode ser relativamente fácil de contornar por usuários com conhecimentos técnicos.

Já o bloqueio de endereços IP pode causar efeitos colaterais quando sites legítimos compartilham a mesma infraestrutura.

A discussão envolve, portanto, não apenas vontade regulatória, mas também a precisão técnica e a proporcionalidade do sistema escolhido.

Capacidade Atual é Limitada

Os recursos atualmente disponíveis para combater plataformas ilegais são reduzidos.

Durante o exercício financeiro de 2025/26, o NGB destinou dois recursos humanos e R596 mil à identificação de sites ilegais.

Seu banco de dados continha 90 plataformas não autorizadas, todas operadas por empresas licenciadas em outras jurisdições.

O órgão também reconhece que algumas páginas retiradas do ar podem posteriormente reaparecer sob novos domínios.

Bloqueio Não Será Solução Única

Sean Coleman, CEO da South African Bookmakers’ Association, apoiou a iniciativa, mas advertiu que o bloqueio de sites não deve ser tratado como solução definitiva.

Operadoras ilegais podem criar rapidamente domínios espelho ou páginas substitutas.

Por isso, o bloqueio deverá integrar uma estratégia mais ampla de enforcement e não substituir outras medidas regulatórias e financeiras.

Próximos Passos ou Impacto

O prazo da Expression of Interest termina em 4 de setembro de 2026.

Depois de analisar as propostas, o NGB poderá utilizar as informações coletadas para preparar uma licitação formal.

Caso o projeto avance, a África do Sul poderá passar de intervenções isoladas contra sites offshore para um sistema permanente de detecção, bloqueio e rastreamento.

A principal questão pendente será estabelecer uma base jurídica e técnica suficientemente clara para implementar o sistema sem gerar conflitos com provedores de internet ou prejudicar serviços online legítimos.

Editó: @fonta

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