BiS SiGMA 2026: VLTs, Regulamentação e Segurança no Centro do Debate

Brasil.- April 14, 2026 www.zonadeazar.com No âmbito da BiS SiGMA 2026, um dos encontros mais influentes da indústria do jogo em nível internacional, foi realizado o painel “VLTs: Segurança e Rastreabilidade”, moderado por Edson Kikuchi, executivo com mais de cinco décadas de experiência em consultoria, marketing e gestão estratégica.

O painel reuniu figuras de destaque do setor: Hazenclever Lopes, ex-presidente da Loterj, Loteria do Rio de Janeiro; Alonso Dias, diretor executivo do Clube do Bet; Daniel Romanowski, CEO da Lottopar, Loteria do Estado do Paraná; e Kayan Cantú, CEO da Apostou.

Um mercado em evolução: do vácuo normativo aos modelos internacionais

Durante a abertura, Kikuchi destacou o crescimento do evento e sua consolidação como referência global, em paralelo com a evolução do mercado brasileiro de jogos. Ele enfatizou que o caminho para a regulamentação tem sido complexo e ainda requer avanços, especialmente na implementação dos VLTs em nível estadual.

Do ponto de vista regulatório, Romanowski explicou que um dos principais desafios foi a ausência de antecedentes locais:

“Estávamos começando do zero”, afirmou, apontando que o modelo adotado pelo Paraná foi construído a partir de boas práticas internacionais, especialmente dos Estados Unidos e da Europa.

O funcionário também destacou que a chave está na criação de marcos normativos sólidos que garantam previsibilidade e segurança jurídica, condição indispensável para atrair investimentos de grandes operadores globais.

Operação e conformidade: o desafio técnico do novo mercado

Do setor privado, Kayan Cantú compartilhou a experiência de expansão de sua empresa, que em apenas um ano e meio passou de zero para 40 salas operacionais e mais de 300 funcionários.

“O mercado brasileiro não tinha um benchmark local, por isso tivemos que nos adaptar e aprender em tempo real”, explicou, destacando a importância do acompanhamento regulatório.

Por sua vez, Alonso Dias enfatizou a complexidade técnica da regulamentação:

“Quando recebemos os requisitos, percebemos que o investimento não era apenas em infraestrutura, mas também em equipes, conformidade e tecnologia”, observou.

Dias detalhou que o sistema de VLTs permite total rastreabilidade: identificação do usuário (KYC), controle da origem dos fundos, monitoramento permanente e auditoria em tempo real, o que garante operações seguras e transparentes.

Segurança e cooperação institucional: a base do modelo

Um dos eixos centrais do painel foi a segurança. Romanowski explicou que o modelo do Paraná prioriza a digitalização total para minimizar riscos como a lavagem de dinheiro, inclusive evitando o uso de dinheiro vivo.

Da mesma forma, destacou a articulação com órgãos-chave como forças de segurança, ministérios públicos e entidades de controle financeiro, o que permitiu construir um sistema de fiscalização robusto.

“O diálogo permanente com outras instituições foi essencial para entender suas necessidades e garantir um ecossistema confiável”, explicou.

Impacto econômico: uma indústria que gera emprego e desenvolvimento

Os participantes do painel concordaram que o ecossistema dos VLTs tem um impacto econômico significativo. Desde a fabricação de equipamentos até o desenvolvimento de software e a operação de salas, a indústria gera emprego direto e indireto e promove a inovação tecnológica.

Cantú destacou que o crescimento do setor implica também a expansão de toda uma cadeia produtiva, enquanto Dias ressaltou o potencial do jogo regulado como motor de desenvolvimento turístico e comercial.

Hasenclever Lopes: “A verdadeira disputa é contra a ilegalidade”

O momento mais marcante do painel ocorreu com a intervenção de Hasenclever Lopes, que deixou uma forte mensagem política e institucional sobre o papel do setor.

Lopes foi enfático ao descartar qualquer rivalidade entre os estados e ressaltou que todos os reguladores trabalham com um mesmo objetivo: consolidar um mercado legal e transparente.

“Não há competição entre nós. A verdadeira disputa é contra o crime organizado, a evasão fiscal e a corrupção”, afirmou.

Em um discurso com tom pessoal, ele relembrou os desafios enfrentados durante sua gestão à frente da Loterj e defendeu a necessidade de tomar decisões difíceis para construir um sistema sólido:

“Fazer o que é certo muitas vezes é o mais difícil, o mais solitário, mas é o único caminho possível”, sustentou.

Além disso, ele destacou o valor do jogo regulado como ferramenta de transformação social:

“O maior prêmio não é o dinheiro, mas o impacto social que geramos com os recursos arrecadados”, expressou.

Lopes também destacou que por trás de cada VLT há empregos, famílias e oportunidades, e instou os operadores a assumirem um papel ativo na construção de um futuro mais inclusivo:

“Não se trata apenas de operar jogos, mas de sermos agentes de transformação na sociedade”.

Quebrar o estigma: o desafio cultural do setor

No encerramento, Romanowski levantou outro dos grandes desafios: mudar a percepção social do jogo no Brasil.

“Em outros países, é uma atividade normalizada, mas aqui ainda existe um estigma associado à ilegalidade”, explicou.

Nesse sentido, ele pediu uma maior união entre operadores e reguladores para consolidar uma indústria ética, transparente e alinhada aos padrões internacionais.

Um futuro em construção

O painel deixou claro que o desenvolvimento dos VLTs no Brasil dependerá de três pilares fundamentais: regulamentação sólida, tecnologia aplicada à segurança e cooperação entre todos os atores do setor.

Com um mercado ainda em expansão, a mensagem final foi clara: a indústria do jogo legal no Brasil não representa apenas uma oportunidade econômica, mas também uma ferramenta fundamental para o desenvolvimento social e a luta contra a ilegalidade.

Editou @pererarte   www.zonadeazar.com

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