Entain Destaca Potencial da Identidade Digital para o KYC

Portugal.- 28 de Agosto de 2026 | www.zonadeazar.com Andrea Carvalho, responsável por assuntos jurídicos, compliance e prevenção à lavagem de dinheiro na Entain, destacou o potencial das carteiras de identidade digital para simplificar determinados processos de conhecimento do cliente em mercados regulamentados.

Carvalho participará do SBC Summit 2026 em um painel dedicado a analisar se as carteiras EUDI poderão inaugurar uma nova etapa para o KYC ou simplesmente transferir parte da complexidade para outras fases do processo regulatório.

Identidade Digital e KYC

Carvalho considera que a carteira EUDI pode simplificar significativamente a verificação de identidade, um dos principais componentes do processo KYC.

O sistema permite que clientes compartilhem de maneira segura credenciais digitais confiáveis emitidas por autoridades reconhecidas.

Isso poderá tornar a identificação:

  • Mais rápida.
  • Mais precisa.
  • Mais segura.
  • Menos dependente de processos manuais.
  • Mais eficiente para as equipes de compliance.

KYC Vai Além da Identidade

A executiva ressaltou, entretanto, que a verificação de identidade representa apenas uma parte do processo.

Operadoras regulamentadas continuarão obrigadas a cumprir exigências relacionadas a:

  • Avaliação de risco do cliente.
  • Prevenção à lavagem de dinheiro.
  • Due diligence reforçada.
  • Monitoramento contínuo.
  • Detecção de fraude.
  • Jogo responsável.

A carteira digital deve, portanto, ser considerada uma ferramenta complementar e não uma solução completa.

Menos Validação Manual de Documentos

Uma implementação bem-sucedida poderá permitir que equipes de compliance dediquem menos tempo à validação manual de documentos de identidade.

Os recursos poderão ser direcionados a atividades de maior valor, como análise de risco, monitoramento de transações e prevenção de crimes financeiros.

A automação também poderá reduzir a fricção durante o onboarding.

Divulgação Seletiva de Dados

Um dos princípios centrais da carteira EUDI é a possibilidade de compartilhar somente os dados necessários para determinada finalidade.

Por exemplo, um usuário poderia demonstrar que possui mais de 18 anos sem fornecer à operadora todas as informações presentes em um documento de identidade.

Esse modelo está alinhado ao princípio europeu de minimização de dados.

Privacidade e Compliance

Carvalho considera que privacidade e cumprimento regulatório não devem ser vistos como objetivos contraditórios.

Um processo eficiente não consiste em coletar o máximo possível de informações, mas em obter os dados corretos para a finalidade regulatória adequada.

A divulgação seletiva pode fortalecer simultaneamente a privacidade, a segurança e a confiança dos consumidores.

Risco de Fragmentação Europeia

A implementação das carteiras digitais também apresenta desafios.

Diferenças entre os países da União Europeia em prazos, maturidade tecnológica e padrões técnicos poderão criar novas complexidades operacionais para empresas internacionais.

A interoperabilidade será, portanto, essencial para que o sistema alcance todo seu potencial.

Experiência Baseada em Risco

A Entain considera que o onboarding não deve concentrar todos os controles regulatórios no momento inicial.

A identidade poderá ser verificada praticamente de forma instantânea, enquanto outras verificações serão ativadas posteriormente conforme o comportamento e o perfil de risco do cliente.

Esse modelo permite aplicar níveis de controle proporcionais ao risco apresentado.

Menos Fricção para Clientes Legítimos

A tecnologia pode reduzir significativamente a fricção durante o cadastro.

O objetivo é proteger consumidores e cumprir obrigações regulatórias sem impor controles desnecessários a clientes que apresentam baixo risco.

A proporcionalidade permanece, portanto, como princípio fundamental.

Potencial Aplicação no Brasil

Carvalho também identificou oportunidades para aplicar alguns dos conceitos das carteiras EUDI fora da Europa.

O Brasil já registrou avanços significativos em identidade e autenticação digital.

A executiva considera que o país poderá explorar sistemas que permitam verificar atributos específicos dos usuários sem exigir cópias completas de documentos pessoais.

Verificação de Maioridade

A confirmação de idade é um dos exemplos mais claros.

Uma operadora poderia receber a confirmação de que um cliente possui mais de 18 anos sem acessar outras informações desnecessárias para cumprir essa obrigação.

Isso poderia reduzir o volume de dados armazenados e os riscos associados à privacidade e segurança.

Sem Copiar Automaticamente o Modelo Europeu

Carvalho ressaltou que o Brasil não deve simplesmente reproduzir o sistema europeu.

Cada jurisdição precisa desenvolver suas soluções a partir de suas próprias bases legais, tecnológicas e regulatórias.

Princípios como segurança, privacidade, confiança e interoperabilidade podem servir como referência, mas exigem adaptação local.

Fraude e Crimes Financeiros

Identidades digitais confiáveis também podem contribuir para reduzir determinados tipos de fraude.

Entre eles:

  • Documentos falsificados.
  • Identidades roubadas.
  • Falhas na verificação manual.

Entretanto, ameaças como identidades sintéticas e técnicas de fraude cada vez mais sofisticadas tornam indispensáveis controles adicionais.

Monitoramento Contínuo Continua Essencial

Mesmo com uma identidade digital corretamente validada, as operadoras precisarão continuar monitorando a atividade dos clientes.

Um sistema robusto deverá combinar:

  • Identidade digital confiável.
  • Monitoramento de transações.
  • Análise comportamental.
  • Detecção de fraude.
  • Avaliação contínua de risco.

A carteira digital representa, assim, uma camada adicional de proteção e não uma solução isolada.

SBC Summit 2026

Carvalho participará do painel “EUDI Wallets & Digital Identity: A New Era for KYC or Just More Complexity?”.

A sessão contará também com Yainnis Stavroulas, CTO da Novibet, e Jean-Michel Azzorpadi, arquiteto de blockchain.

O debate será moderado por Jochen Biewer, CEO do Chevron Group.

Contexto do Setor

A digitalização dos processos KYC está se tornando uma prioridade para as operadoras regulamentadas.

As empresas buscam reduzir a fricção no onboarding sem enfraquecer controles relacionados a AML, jogo responsável e proteção de dados.

As carteiras de identidade digital poderão se tornar uma infraestrutura importante para alcançar esse equilíbrio.

Próximos Passos ou Impacto

A implementação das carteiras EUDI na Europa permitirá avaliar se a identidade digital consegue simplificar efetivamente os processos regulatórios em escala.

Para operadoras como a Entain, o desafio será integrar essas novas ferramentas sem abandonar o monitoramento contínuo e os controles baseados em risco.

Em mercados como o Brasil, a verificação baseada em atributos poderá abrir novas possibilidades para melhorar ao mesmo tempo a experiência do cliente, a privacidade e o compliance regulatório.

Editó: @fonta

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