CEO da Cactus Gaming, Thiago Garrides: O Custo Invisível da Regulamentação

Brasil. – 15 de Julho de 2026 www.zonadeazar.com Com regras mais rígidas e fiscalização crescente, empresas passam a investir em inteligência artificial, prevenção a fraudes, segurança cibernética e compliance para operar no mercado regulado brasileiro

A regulamentação do mercado brasileiro de apostas não mudou apenas as regras para operar no país. Ela transformou silenciosamente a estrutura das empresas que atuam no setor. Se antes o foco estava concentrado no desenvolvimento de plataformas e na aquisição de clientes, hoje uma parcela crescente dos investimentos é destinada a áreas que o apostador nunca vê, como prevenção à lavagem de dinheiro, segurança cibernética, inteligência artificial, gestão de riscos, certificações e governança corporativa.

Essa mudança acompanha o amadurecimento do mercado regulado brasileiro. Desde janeiro de 2025, quando as novas regras passaram a vigorar, operadores e fornecedores de tecnologia passaram a atender uma série de exigências relacionadas à identificação de usuários (KYC), monitoramento financeiro, proteção de dados, jogo responsável, auditorias independentes e certificação de sistemas, elevando significativamente o nível de complexidade das operações.

A evolução regulatória continua em ritmo acelerado. Ao longo de 2025 e 2026, a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda, publicou novas normas voltadas ao fortalecimento dos mecanismos de fiscalização, segurança das plataformas e proteção dos consumidores. Paralelamente, o órgão vem ampliando o acompanhamento sobre toda a cadeia do setor, incluindo empresas responsáveis pelo desenvolvimento das soluções tecnológicas utilizadas pelas operadoras.

Os investimentos necessários para atuar no mercado regulado vão muito além da obtenção da licença federal. Além da outorga de R$30 milhões, válida por cinco anos e que autoriza até três marcas por grupo econômico, as empresas precisam manter estruturas permanentes de monitoramento, certificações internacionais, auditorias periódicas, atualização constante dos sistemas, protocolos de segurança digital e equipes altamente especializadas.

Ao mesmo tempo, o Governo Federal intensificou o combate às operações ilegais. Segundo o Ministério da Fazenda, mais de 39 mil sites de apostas irregulares já haviam sido bloqueados até abril de 2026. Em junho, esse número ultrapassou 50 mil domínios, demonstrando o avanço da fiscalização e o esforço para fortalecer o ambiente regulado e aumentar a proteção aos consumidores.

Nesse cenário, a tecnologia passou a assumir um papel ainda mais estratégico. Soluções baseadas em inteligência artificial monitoram milhões de eventos diariamente para identificar comportamentos atípicos, prevenir fraudes, detectar movimentações financeiras suspeitas e reforçar os mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro. Ferramentas de autenticação biométrica, geolocalização e proteção contra ataques cibernéticos também passaram a integrar a rotina operacional das plataformas licenciadas.

Como empresa especializada no desenvolvimento de infraestrutura tecnológica para o mercado de apostas e iGaming, a Cactus Gaming acompanha diariamente essa transformação e desenvolve soluções alinhadas às exigências do ambiente regulado, permitindo que operadores conciliem conformidade, desempenho e experiência do usuário.

“Existe uma percepção de que uma plataforma de apostas se resume à interface que o usuário acessa. Na prática, essa é apenas a ponta de uma estrutura extremamente complexa. Antes que uma aposta seja concluída, existem diversas camadas de validação, monitoramento e análise de risco funcionando simultaneamente. A regulamentação elevou o padrão da indústria e fez com que tecnologia, segurança e compliance deixassem de ser áreas de suporte para se tornarem parte do próprio produto”, afirma Thiago Garrides, CEO da Cactus Gaming.

Segundo o executivo, o setor vive uma transformação semelhante à observada no mercado financeiro nos últimos anos, quando investimentos em segurança da informação, governança e gestão de riscos passaram a ser encarados como fatores estratégicos para a credibilidade das empresas.

“O próximo ciclo de crescimento da indústria será determinado menos pelo tamanho das campanhas de marketing e muito mais pela capacidade das empresas de desenvolver operações seguras, resilientes e aderentes às exigências regulatórias. O consumidor talvez nunca enxergue toda essa estrutura, mas é ela que garante confiança, transparência e sustentabilidade para o mercado”, conclui Garrides.

Com potencial para se consolidar entre os maiores mercados regulados de apostas do mundo, o Brasil entra agora em uma nova fase de maturidade. Se a primeira etapa foi marcada pela corrida por licenças, a próxima será definida pela capacidade das empresas de inovar sem renunciar à segurança, à governança e à conformidade. Nos bastidores das plataformas, está sendo construída uma nova indústria tecnológica que tende a definir os rumos do setor nos próximos anos.

Editado: @MaiaDigital www.zonadeazar.com

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