Kalshi Contesta Relatório por “Falhas Significativas”
Estados Unidos.- 16 de julho de 2026 | www.zonadeazar.com A Kalshi respondeu de forma contundente a um recente relatório do Roosevelt Institute sobre os mercados de previsão, afirmando que o estudo contém “falhas significativas” que comprometem suas principais conclusões.
Publicado em 7 de julho como a primeira parte de uma série de quatro estudos, o relatório afirma que os usuários comuns da Kalshi teriam perdido mais de US$ 500 milhões desde o lançamento da plataforma, em julho de 2021, até maio de 2026.
A Kalshi rejeitou essa interpretação e declarou que a análise se baseia em uma metodologia incorreta. Segundo a empresa, o instituto confundiu as categorias maker e taker, utilizadas na API da plataforma, com usuários profissionais e ocasionais, quando esses termos, na realidade, apenas descrevem funções operacionais de uma bolsa de negociação.
A empresa também contestou o fato de o estudo equiparar carteiras digitais a contas individuais, sustentando que essa metodologia distorceu os resultados obtidos.
Além disso, a Kalshi rejeitou a comparação entre mercados de previsão e cassinos, ressaltando que seu modelo funciona como uma bolsa de negociação na qual os usuários negociam contratos entre si, em vez de apostar diretamente contra uma casa com vantagem matemática.
Por outro lado, o Roosevelt Institute argumenta que os participantes comuns competem com operadores profissionais que utilizam ferramentas e estratégias mais sofisticadas, criando uma desvantagem estrutural para os usuários de varejo.
A Kalshi também acusou o relatório de apresentar um viés favorável à indústria de cassinos e apostas esportivas, afirmando que a influência do lobby do setor começa a impactar o debate político e regulatório sobre os mercados de previsão.
A controvérsia ocorre em um momento de forte expansão do segmento. Segundo dados citados pelo Roosevelt Institute, Kalshi e Polymarket movimentaram conjuntamente US$ 24,2 bilhões em abril de 2026, frente aos US$ 1,8 bilhão registrados um ano antes. Algumas projeções estimam que esse mercado poderá atingir US$ 1 trilhão em volume negociado até 2030.
Nos Estados Unidos, os mercados de previsão são regulamentados como bolsas de derivativos sob supervisão da Commodity Futures Trading Commission (CFTC). No entanto, diversos reguladores estaduais sustentam que contratos vinculados a resultados esportivos funcionam, na prática, como produtos de apostas, sem estarem sujeitos às mesmas exigências de licenciamento, tributação e conformidade aplicadas às casas de apostas esportivas tradicionais.
A disputa entre a Kalshi e o Roosevelt Institute volta a colocar no centro do debate uma questão ainda sem consenso: se os mercados de previsão devem permanecer sob supervisão federal como instrumentos financeiros ou passar a ser regulados pelas legislações estaduais aplicáveis às apostas esportivas e aos jogos de azar.
Editado por: @_fonta

