Bets Ganham Espaço Central na Corrida Eleitoral Brasileira
Brasil.- 21 de Agosto de 2026 | www.zonadeazar.com As apostas online se consolidaram como um dos novos temas centrais da campanha eleitoral brasileira de 2026, com candidatos defendendo medidas que vão desde maiores restrições e impostos até uma possível proibição do mercado.
O debate ocorre pouco mais de um ano e meio após a entrada em vigor do mercado regulamentado de apostas de quota fixa e demonstra uma pressão política crescente sobre o setor.
As propostas, porém, apresentam diferentes níveis de detalhamento e, em vários casos, ainda são declarações de campanha e não políticas aprovadas.
Lula Volta a Citar Possível Proibição
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, voltou a mencionar publicamente a possibilidade de encerrar o mercado regulamentado de apostas online caso não encontre uma justificativa social para sua continuidade.
O presidente também reconheceu que uma medida desse tipo enfrentaria resistência no Congresso.
A posição contrasta com o processo regulatório conduzido durante sua própria gestão.
O Governo Lula sancionou a Lei 14.790/2023 e posteriormente criou a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), vinculada ao Ministério da Fazenda, responsável pela regulamentação e fiscalização do mercado federal.
Plano de Governo Não Propõe Proibição
Apesar do endurecimento do discurso presidencial, o programa eleitoral registrado por Lula no Tribunal Superior Eleitoral não prevê expressamente a proibição das bets.
O documento propõe continuar monitorando o impacto das apostas sobre o endividamento das famílias e fortalecer medidas destinadas a:
- Controlar gastos excessivos com apostas online.
- Ampliar a proteção ao consumidor.
- Reforçar estratégias relacionadas aos problemas associados ao jogo.
- Aperfeiçoar regras de crédito e proteção financeira.
Existe, portanto, uma diferença entre as declarações públicas mais duras do presidente e as medidas formalmente previstas em seu plano de governo.
Flávio Bolsonaro Propõe Mais Restrições
O senador Flávio Bolsonaro também incorporou as apostas online em sua plataforma eleitoral.
Seu programa propõe impedir a utilização de recursos de programas sociais em apostas e promover campanhas educativas sobre os riscos de endividamento relacionados ao jogo.
No entanto, recursos do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) já estão sujeitos a restrições para apostas.
A campanha ainda não definiu se defenderá uma proibição completa das bets.
Zema e Renan Santos Defendem Proibição
Romeu Zema e Renan Santos adotaram posições mais restritivas e se manifestaram diretamente a favor da proibição das bets.
Zema afirmou que pretende impedir a operação dessas empresas por meio de medida provisória desde o início de um eventual governo.
A proposta representa uma das posições mais duras apresentadas até agora na campanha presidencial.
Augusto Cury Defende Impostos “Altíssimos”
Augusto Cury escolheu uma abordagem diferente.
O candidato defende a aplicação de impostos muito elevados sobre as casas de apostas como forma de desestimular a atividade.
Até o momento, não especificou qual alíquota ou estrutura tributária considera adequada.
A proposta permanece, portanto, como uma posição política geral sem percentual definido.
Caiado Mira Publicidade e Movimentações Financeiras
Ronaldo Caiado propõe reforçar os controles sobre o setor sem necessariamente defender sua proibição total.
Entre as principais medidas aparecem:
- Restrições à publicidade de apostas online.
- Maior fiscalização de movimentações financeiras.
- Controle mais rigoroso das casas de apostas.
- Supervisão reforçada sobre fintechs envolvidas nas transações do setor.
O candidato relaciona essas propostas aos impactos sociais e financeiros que atribui ao crescimento das apostas.
Debate Também Chega a São Paulo
As bets também se tornaram tema da disputa pelo Governo de São Paulo.
Fernando Haddad afirmou ser contrário ao jogo e declarou que, caso seja eleito, não concederá licenças estaduais para empresas de apostas.
O candidato reconheceu, entretanto, que um governador não possui competência para proibir apostas online em todo o país.
Tarcísio de Freitas também adotou discurso crítico e relacionou a expansão das apostas a problemas de saúde pública.
O governador defendeu ainda a oferta de tratamento especializado para pessoas afetadas por problemas relacionados ao jogo.
Opinião Pública: Impacto Eleitoral Ainda Limitado
Pesquisa realizada em julho pela More in Common em parceria com Ipsos-Ipec indica que a posição dos candidatos sobre as bets ainda possui influência limitada sobre a intenção de voto.
O levantamento apontou que:
- 58% afirmaram que a posição de um político sobre as apostas não altera sua intenção de voto.
- 24% disseram ter maior disposição para votar em candidatos que defendam restrições.
- 18% responsabilizaram principalmente o Governo Lula pela expansão das bets.
- 4% atribuíram a principal responsabilidade ao Governo Jair Bolsonaro.
- 33% consideraram que ambos possuem responsabilidade semelhante.
- 35% não responsabilizaram nenhum dos dois.
A pesquisa ouviu 2 mil pessoas com 16 anos ou mais em 130 municípios, entre 4 e 8 de julho, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Contexto do Setor
O Brasil possui um mercado federal regulamentado de apostas de quota fixa desde janeiro de 2025.
A regulamentação foi concluída após vários anos de indefinição iniciados com a legalização das apostas de quota fixa em 2018.
A campanha eleitoral de 2026 adiciona agora uma nova camada de incerteza política para operadoras licenciadas e investidores.
As posições variam entre preservar o sistema com maiores controles, elevar fortemente os impostos ou reverter completamente o modelo regulamentado.
Próximos Passos ou Impacto
O desenvolvimento da campanha eleitoral será determinante para saber se os discursos mais restritivos serão convertidos em propostas legislativas concretas.
Para as operadoras regulamentadas, o principal risco está em uma possível mudança de política após as eleições, especialmente em relação à tributação, publicidade e continuidade do próprio mercado.
Atualmente, não existe uma decisão federal aprovada para proibir as apostas online.
O cenário demonstra, porém, que as bets deixaram de ser apenas uma questão regulatória e passaram a ocupar espaço relevante no debate político brasileiro.
Editó: @fonta


