Brasil Busca Restringir Mercados de Previsão por Lei

Brasil.- 7 de Agosto de 2026 | www.zonadeazar.com O deputado federal Jonas Donizette apresentou um projeto para incorporar à legislação brasileira a restrição que impede os mercados de previsão de oferecer contratos relacionados a esportes, política, eleições, cultura e entretenimento.

A iniciativa pretende limitar essas plataformas a eventos de natureza econômico-financeira, como taxas de juros e variações cambiais.

Detalhes da Notícia

O projeto busca transformar em lei uma resolução publicada pelo Conselho Monetário Nacional em abril de 2026.

A norma administrativa estabeleceu que os mercados de previsão não podem operar sobre esportes nem sobre outros acontecimentos fora do âmbito econômico-financeiro.

Após sua publicação, o Ministério da Fazenda determinou o bloqueio de pelo menos 27 plataformas que ofereciam mercados relacionados a esportes, política, eleições, cultura e outros temas.

Polymarket e Kalshi estão entre as empresas cujas atividades nesse segmento foram questionadas.

Contexto do Setor

O Brasil possui atualmente dois principais marcos regulatórios relacionados a esse tipo de produto.

As apostas de quota fixa são regulamentadas pela Lei 14.790/2023 e supervisionadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.

Os contratos derivativos são regidos pela Lei 6.385/1976 e supervisionados pela Comissão de Valores Mobiliários.

O debate concentra-se nas plataformas que oferecem contratos sobre eventos políticos, culturais ou de entretenimento que não se enquadram claramente em nenhum desses dois regimes.

A transformação da resolução em lei proporcionaria maior estabilidade jurídica à restrição e dificultaria futuras alterações realizadas exclusivamente por decisões administrativas.

Declarações

Jonas Donizette afirmou na justificativa do projeto:

“Antes da emissão da resolução, essas plataformas se beneficiavam de uma zona de indefinição regulatória”.

O deputado acrescentou:

“Grande parte da atividade desenvolvida por essas plataformas, especialmente quando o objeto da aposta era um evento político, cultural ou de entretenimento, não se enquadrava com precisão em nenhum dos dois regimes”.

Segundo o parlamentar, essa situação permitia sustentar que a atividade seria lícita diante da ausência de uma proibição expressa.

Próximos Passos ou Impacto

A proposta deverá avançar pelas comissões correspondentes da Câmara dos Deputados antes de uma eventual votação.

Caso seja aprovada, o Brasil consolidará uma separação jurídica mais rígida entre apostas esportivas regulamentadas, instrumentos financeiros e contratos sobre acontecimentos políticos, culturais ou sociais.

A medida poderá restringir de forma permanente a operação de plataformas internacionais de mercados de previsão que não possuam autorização nos regimes regulatórios brasileiros vigentes.

Editó: @fonta

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